
Verenilde Santos Pereira nasceu em Manaus, em 1956, filha de pai do povo Sateré Mawé e mãe negra. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), construiu uma trajetória marcada pelo ativismo indigenista, atuando no jornal Porantim e na Operação Amazônia Nativa (OPAN). Devido à perseguição política durante suas investigações sobre mineração em terras indígenas, mudou-se para Brasília em 1986, onde reside até hoje. Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), Verenilde utiliza sua literatura como ferramenta de denúncia e preservação de memórias ancestrais. Sua obra, que passou décadas circulando de forma independente, foi recentemente redescoberta pela crítica literária nacional e internacional, sendo celebrada por sua perspectiva decolonial e pela força poética no tratamento de traumas coloniais e violências institucionais na Amazônia.
A carreira de Verenilde é uma interseção entre a reportagem, a antropologia e a ficção. Seu estilo é caracterizado por uma prosa robusta e polifônica que humaniza vozes historicamente silenciadas, como as de meninas indígenas em missões religiosas. Ela é creditada como a fundadora de uma vertente literária que funde as heranças negras e indígenas do Norte do Brasil, rompendo com a visão eurocêntrica da paisagem amazônica.

“Obra pioneira que narra a experiência traumática de meninas indígenas em missões religiosas no Alto Rio Negro. Reeditado em 2025 pelo selo Alfaguara da Companhia das Letras. ”

“Uma reunião de contos que operam como 'literatura de testemunho', onde a autora dá voz a sujeitos marginalizados e processa as agruras de sua própria infância e as injustiças sociais testemunhadas em sua atuação como jornalista indigenista.”