
Trudruá Dorrico (Julie Dorrico) é uma proeminente escritora, poeta e pesquisadora do povo Macuxi. Nascida em Guajará-Mirim, Rondônia, em 1990, ela é Doutora em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Sua vida e obra são centralizadas no conceito de 'retomada' — o processo de redescobrir e reafirmar sua identidade ancestral indígena, que ela iniciou aos 26 anos ao investigar suas raízes maternas. Além de sua produção autoral, Trudruá é uma influente articuladora cultural, sendo a idealizadora do projeto 'Leia Mulheres Indígenas' no Instagram e curadora de diversas mostras e festivais literários. Sua atuação busca descolonizar o currículo literário brasileiro e dar visibilidade ao protagonismo de autores originários, trabalho este que culminou no anúncio de que sua obra passará a integrar a lista de leituras obrigatórias da Fuvest/USP para os vestibulares a partir de 2030.
A trajetória de Trudruá é marcada pelo trânsito entre a academia e a literatura criativa. Seu estilo literário funde a prosa narrativa com a poesia e a tradição oral, frequentemente explorando temas como o pertencimento, a memória coletiva dos Macuxi e a resistência contra o silenciamento histórico. Como curadora e ensaísta, ela tem sido fundamental na organização de antologias que mapeiam a diversidade da escrita indígena feminina, promovendo uma crítica literária produzida a partir de perspectivas internas dos povos originários.

“O livro é um exercício de memória ancestral e autobiográfica. Por meio de textos curtos e poéticos, a autora reivindica a força da circularidade e do pertencimento ao povo Macuxi, tratando da identidade indígena em contextos urbanos e do encontro com as águas profundas da história de seus antepassados.”

“Organizada por Trudruá Dorrico e Maurício Negro, esta antologia reúne contos, poemas e narrativas de doze autoras de diferentes povos. A obra oferece um panorama plural da produção literária feminina indígena, servindo como uma ferramenta pedagógica e cultural para compreender as cosmogonias e resistências contemporâneas.”