
Nascido em 1980 na zona rural de Limoeiro do Norte, Ceará, Stênio Gardel descobriu sua identidade homossexual cedo e enfrentou diversos desafios pessoais. Em 1997, mudou-se para Fortaleza para cursar a faculdade. Sua paixão pela escrita surgiu na infância, após o fascínio por livros como 'O Cão dos Baskervilles'. Atualmente, Stênio Gardel é servidor público do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Sua mãe, Dona Irene (Raimunda Irene Maia), falecida em janeiro de 2021, é a quem seu primeiro livro é dedicado. Ele aprimorou suas habilidades literárias participando dos Ateliês de Narrativa ministrados pela escritora Socorro Acioli em Fortaleza, desde 2013. Foi nesse contexto que ele retomou o antigo sonho de escrever um romance. Sua obra de estreia, 'A palavra que resta', desenvolvida nesses cursos, o projetou no cenário literário nacional e internacional, abordando temas de amor proibido, repressão e a busca pela autoaceitação.
A trajetória literária de Stênio Gardel começou com a participação em diversas coletâneas de contos a partir de 2017. Seu trabalho mais notável é 'A palavra que resta', um romance que explora a jornada de um homem gay no sertão nordestino, tratando de desejo queer, violência, vergonha e o poder transformador da palavra escrita. Sua escrita é caracterizada por uma narrativa sensível e magnética. Gardel expandiu sua produção para a literatura infantil com 'Bento Vento Tempo', um livro em estilo cordel que demonstra sua versatilidade e a capacidade de abordar diferentes gêneros e públicos. Ele vê a escrita como um meio essencial de comunicação, uma forma de dialogar com leitores sobre assuntos que considera importantes e fundadores de sua própria pessoa. Sua obra tem sido fundamental para dar visibilidade a narrativas do interior do Brasil, deslocando o foco da literatura para além dos grandes centros.

“Este primoroso romance de estreia acompanha a trajetória de Raimundo, um homem analfabeto que na juventude teve seu amor secreto brutalmente interrompido. Por cinquenta anos, ele guardou uma carta que nunca pôde ler. Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever, numa busca emocionante para decifrar essa ferida aberta do passado e reencontrar o que restou de Cícero, seu grande amor. A narrativa explora temas como homofobia, família e o poder redentor das palavras.”

“Uma narrativa sensível e belamente ilustrada sobre um menino, Bento, e seu avô, Vô Cacá. Antes trabalhador e agitado, Vô Cacá se tornou um senhor calado e cada vez mais esquecido. Para ajudar o avô a recuperar suas memórias, Bento o leva à feira da cidade na bicicleta amarela da família, dando início a um percurso fantástico e encantado onde eles encontrarão sonhos, coragem e a beleza da reconexão. O livro é apresentado em formato de cordel, com ilustrações de Nelson Cruz.”