
Silviano Santiago nasceu em Formiga, Minas Gerais, em 29 de setembro de 1936. Aos dez anos, mudou-se para Belo Horizonte. Graduou-se em Letras Neolatinas pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1959. Sua busca por aprofundamento na literatura francesa o levou a um doutorado na Sorbonne, Universidade de Paris, onde realizou um trabalho significativo ao decifrar o manuscrito de "Os Moedeiros Falsos" de André Gide. A trajetória intelectual de Santiago é marcada por uma vasta experiência acadêmica, lecionando em diversas universidades no Brasil, França e Estados Unidos. Ele passou por instituições como a Universidade do Novo México, Rutgers, Toronto, Nova York, Buffalo e Indiana. No Brasil, foi catedrático da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde hoje é professor emérito. Sua obra é reconhecida por sua amplitude, abrangendo romances, contos, ensaios e poemas, e tem sido traduzida para vários idiomas, incluindo inglês, espanhol, italiano e francês.
Silviano Santiago é um autor que se destacou por sua abordagem inovadora na crítica literária brasileira, sendo um dos pioneiros a introduzir análises transdisciplinares e pós-coloniais. Na década de 1970, ele foi fundamental na disseminação do pensamento do filósofo Jacques Derrida no Brasil, com quem teve contato durante seu período como professor de literatura francesa nos Estados Unidos. Sua metodologia crítica também se distingue pela incorporação de documentos do período colonial brasileiro em suas análises, o que abriu novas perspectivas para a leitura de autores nacionais sob o viés da literatura comparada. Seu estilo literário frequentemente mescla crítica e ficção, como exemplificado em seus "romances-ensaio" como "Em liberdade", onde explora as ideias críticas através da narrativa. Santiago também demonstra um profundo interesse em temas relacionados ao envelhecimento e à condição humana, abordados em obras como o romance "Machado" e o livro de poesia "Cheiro Forte". Sua contribuição é vista como de grande relevância no cenário literário brasileiro e latino-americano, em particular por suas reflexões culturais que atravessam a teoria, a crítica cultural e a ficção.

“Neste romance histórico, Silviano Santiago se debruça sobre os últimos quatro anos da vida de Machado de Assis, o "Bruxo do Cosme Velho". A obra é classificada pelo autor como um "romance de sobrevivência", explorando a velhice do grande escritor brasileiro, suas fragilidades, doenças (como a epilepsia, muitas vezes oculta) e sua produção literária tardia, como "Memorial de Aires". Santiago realiza uma pesquisa rigorosa para dar veracidade aos detalhes da vida íntima e social de Machado, oferecendo uma nova perspectiva sobre o ícone da literatura nacional.”

“O romance "Mil Rosas Roubadas" foi agraciado com o prestigioso Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa em 2015, destacando-se por sua qualidade literária e relevância cultural. A obra é uma exploração profunda de memória, perda e reconstrução, narrada com a prosa densa e poética característica de Silviano Santiago, que entrelaça diferentes temporalidades e vozes para criar um mosaico de experiências humanas. ”