
Rogério Pereira nasceu em Galvão, Santa Catarina, em 1973. Mudou-se para Curitiba na juventude, onde se formou em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Consolidou-se como uma das figuras mais influentes do meio literário brasileiro contemporâneo ao fundar, em 2000, o jornal 'Rascunho', um dos poucos veículos impressos remanescentes dedicados exclusivamente à crítica literária no Brasil, que circula nacionalmente. Além de sua prolífica atuação como editor e crítico, Pereira exerceu cargos de relevância na gestão pública, destacando-se como diretor da Biblioteca Pública do Paraná entre 2011 e 2019. Nesse período, revitalizou a instituição e promoveu diversos projetos de fomento à leitura. Como autor de ficção, sua obra é marcada pelo rigor estético e por uma exploração profunda dos abismos familiares e do silêncio, sendo traduzida em países como Colômbia e com contos publicados na Europa e África.
Sua trajetória é definida por uma vida dedicada ao livro em suas diversas frentes: edição, crítica e criação. No jornalismo, atuou em redações como a Gazeta do Povo e Gazeta Mercantil antes de focar integralmente no projeto do Rascunho. Na literatura, seu estilo é introspectivo, caracterizado por uma prosa enxuta e densa que evita o sentimentalismo fácil para focar na crueza das relações humanas. Seus temas recorrentes incluem a herança familiar, o luto, a finitude e as marcas psicológicas deixadas por uma infância rigorosa, refletindo frequentemente o contraste entre o ambiente rural de sua origem e a vida urbana.

“O romance acompanha uma família de cinco pessoas que deixa a vida rural em busca de um futuro na cidade. No entanto, o que os consome não é o ambiente urbano, mas um silêncio ancestral e uma incomunicabilidade herdada de um pai violento e uma mãe resignada. A narrativa é construída a partir de cacos de memórias que tentam dar sentido a um presente desolador.”

“Nesta obra, Rogério Pereira mergulha na rotina de um filho que lida com a doença terminal de sua mãe. O livro explora a banalidade dos hospitais, os rituais de cuidado e a preparação para a ausência, utilizando um tom que transita entre o sarcasmo defensivo e a vulnerabilidade profunda diante da morte inevitável.”