
Nascida em 25 de janeiro de 1984 em São Paulo, Brasil, Rita Carelli trilhou um caminho acadêmico e artístico diversificado. Ela estudou Letras na Universidade Federal de Pernambuco e aprimorou suas habilidades teatrais na renomada Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, em Paris. Filha dos proeminentes antropólogos e indigenistas Vincent Carelli e Virgínia Valadão, Rita passou grande parte de sua infância imersa em aldeias indígenas, acompanhando seus pais em expedições de filmagem e pesquisa por todo o Brasil. Essas experiências formativas moldaram profundamente sua visão artística, criando uma conexão intrínseca com a Amazônia, sua ecologia e a diversidade de seus povos originários. Sua obra busca compartilhar essas vivências e perspectivas com um público mais amplo, especialmente crianças e famílias não indígenas, com o objetivo de construir pontes culturais e promover o entendimento. Seu compromisso é apresentar representações autênticas e nuançadas da vida indígena, evitando estereótipos e idealizações.
A trajetória de Rita Carelli se destaca pela sua versatilidade como escritora, atriz, diretora e ilustradora. Sua produção artística é profundamente enraizada em suas vivências com comunidades indígenas, utilizando a literatura e outras mídias para amplificar suas vozes e visões de mundo. Ela é autora de diversos livros infantis aclamados, que abordam temas como mitos de origem, o cotidiano nas aldeias e a relação com a natureza. Em 2021, fez sua estreia na literatura adulta com o romance 'Terrapreta', que foi amplamente reconhecido. Além de sua autoria, Rita Carelli tem um papel importante na organização e pesquisa de obras do líder indígena e filósofo Ailton Krenak, contribuindo para a disseminação de seu pensamento e ideias sobre sustentabilidade e ancestralidade. Sua abordagem artística é caracterizada pela sensibilidade e pelo rigor em apresentar a pluralidade das culturas indígenas, desafiando percepções limitadas e convidando o público a um 'reflorestamento dos imaginários'.

“Após um acontecimento inesperado na família, uma adolescente de São Paulo tem sua rotina alterada e vai morar com seu pai arqueólogo em uma aldeia no Alto Xingu. Lá, ela se depara com um universo de mistérios, ritos e códigos desconhecidos, iniciando uma profunda jornada de amadurecimento e autoconhecimento imersa na cosmovisão indígena. O romance articula com finesse os tempos e lugares da ação entre São Paulo, Xingu e Paris, explorando afetos, inteligências e experiências sensíveis.”

“Uma obra que entrelaça memória e investigação jornalística para reconstituir o assassinato do missionário Vicente Cañas e a luta pelos direitos indígenas.”