
Ricardo Aleixo nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1960. É um artista autodidata que atua em diversas disciplinas, incluindo poesia, música, artes visuais e performance. Sua jornada artística começou na infância com a música, e aos 17 anos já escrevia canções e experimentava a poesia, influenciado pela expressividade espacial e gráfica da poesia concreta. Sua estreia oficial no mundo literário ocorreu em 1992 com o livro 'Festim'. Ao longo de sua carreira, Aleixo explorou as fronteiras entre as linguagens artísticas, integrando a poesia com teatro, música e dança. Ele é reconhecido por sua visão crítica da realidade, produzindo uma poesia social, mordaz, seca e irônica. Ocupa a 31ª cadeira na Academia Mineira de Letras e recebeu o título de doutor por 'notório saber' em Letras: Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2021. Além disso, é curador do Festival de Arte Negra (FAN) em Belo Horizonte e edita a revista Roda - Arte e Cultura do Atlântico Negro.
A trajetória de Ricardo Aleixo é marcada por uma abordagem multidisciplinar, mesclando poesia com artes visuais, música e performance. Seu trabalho é fortemente influenciado pelo concretismo e pela etnopoesia, enfatizando as dimensões verbal, visual e sonora da linguagem. Ele busca consistentemente integrar diferentes expressões artísticas, resultando em um corpo de trabalho que inclui caligrafias, frames, textos, epigramas, poemas-ensaio, pirogravura e 'corpografias' utilizando 'poemantos' (mantos). Como performer, apresentou seu trabalho internacionalmente, exibindo sua mistura única de linguagens e questionando as fronteiras artísticas tradicionais. É considerado um dos mais inovadores poetas contemporâneos brasileiros, reconhecido por suas poéticas experimentais da voz e do corpo.

“O sétimo livro de Ricardo Aleixo apresenta 75 poemas que desafiam as fronteiras entre as artes, incorporando elementos de caligrafia, frames de videoperformance e pirogravura. A obra explora uma visão expandida da poesia, onde a matéria visual, tátil e sonora se interligam para construir um caminho de leitura coeso e multifacetado, refletindo a busca do artista por um processo de criação livre e interlinguagens.”

“Este livro de 32 poemas, que foi finalista do Prêmio Oceanos em 2018, confronta criticamente a realidade brasileira. O título homônimo ao poema principal faz uma analogia com o Festival Folclórico de Parintins para metaforizar a vida, onde "nada é caprichoso, nada é garantido". A obra evoca urgências políticas e sociais, questionando a valorização de símbolos em detrimento das pessoas, através de uma poética que mescla lirismo e sátira.”