
Nascida na comunidade da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro, em 1961. Na infância, enfrentou abandono parental e iniciou o uso de entorpecentes aos seis anos. Aos nove anos, foi entregue pela avó a pessoas ligadas ao jogo do bicho, sendo inserida em redes de exploração e criminalidade infantil. Durante a década de 1980, conheceu e casou-se com Ednaldo de Souza, conhecido como Naldo ou Pará, então líder do tráfico de drogas da Rocinha. Após a morte do companheiro em um confronto com a polícia militar, Raquel assumiu a posição de liderança do tráfico na comunidade, tornando-se a primeira mulher a comandar as operações na região. Nos anos subsequentes, desenvolveu severa dependência de cocaína e álcool, fator que a motivou a afastar-se do crime. Após submeter-se a tratamentos de reabilitação química que duraram mais de uma década, concluiu o ensino médio, obteve uma bolsa de estudos e formou-se em Pedagogia. Atualmente, trabalha como educadora, pedagoga e escritora, e mantém-se afastada do narcotráfico.
A aproximação de Raquel com o meio literário iniciou-se por indicação terapêutica em centros de reabilitação e consolidou-se por meio de oficinas oferecidas pela Festa Literária das Periferias (FLUPP), que publicou suas primeiras poesias em coletâneas no ano de 2013. Em 2015, publicou seu primeiro livro, 'A Número Um', pela editora Casa da Palavra. A obra enquadra-se na literatura marginal e destaca-se por abordar a criminalidade nas favelas cariocas sob a ótica de uma mulher protagonista e em posição de chefia, contrapondo-se a obras literárias que costumam retratar mulheres apenas como figuras periféricas e submissas dentro do crime. O texto, de cunho confessional e em primeira pessoa, expõe a mecânica do narcotráfico e a vulnerabilidade social decorrente da ausência do Estado. Em 2024, a relevância de seu livro resultou na adaptação para os cinemas com o longa-metragem 'Bandida: A Número Um', dirigido por João Wainer e protagonizado pela atriz Maria Bomani. Raquel tem participação ativa em eventos do circuito literário independente e periférico, debatendo os papéis da literatura e da resiliência nas comunidades brasileiras.

“Livro de memórias narrado em primeira pessoa, documentando as vivências da autora desde a negligência familiar na infância e abusos sofridos até sua ascensão como mulher no comando do tráfico de drogas, finalizando com o processo de luta contra a dependência química.”