
Raimundo Neto nasceu em Batalha, Piauí, em 1982. Atualmente, reside em São Paulo, onde atua como psicólogo no Tribunal de Justiça. Sua incursão no universo literário teve início com a participação em importantes antologias, consolidando-se como uma voz marcante na literatura brasileira contemporânea. Ele foi um dos convidados do evento literário Printemps Littéraire Brésilien, realizado na França em 2019, e contribuiu para coletâneas como 'A resistência dos vagalumes', 'Catuá – Antologia de autores Piauienses', 'Pandemônio – nove narrativas entre Berlim e São Paulo', e 'Feliz Aniversário, Clarice!', esta última em 2020, em homenagem ao centenário de Clarice Lispector. Sua obra de estreia, 'Todo esse amor que inventamos para nós', um livro de contos, foi amplamente aclamada e agraciada com o prestigioso Prêmio Paraná de Literatura em 2018. Além disso, foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura no mesmo ano com um romance ainda inédito. Sua escrita é profundamente introspectiva e poética, frequentemente comparada à de Clarice Lispector, e explora com sensibilidade as complexidades das relações familiares e a temática LGBTQIA+, com foco na construção da identidade e na superação de traumas.
A trajetória literária de Raimundo Neto é caracterizada por uma profunda imersão em temas psicológicos e sociais, apresentados com um lirismo distintivo. Ele começou a construir sua carreira literária através de colaborações em diversas antologias, o que lhe proporcionou uma base sólida e reconhecimento inicial. A publicação de seu primeiro livro de contos, 'Todo esse amor que inventamos para nós', marcou um ponto de virada, rendendo-lhe o aclamado Prêmio Paraná de Literatura em 2018. Subsequentemente, lançou o romance 'Nasci sem um caminho de volta', obra em que aprofunda as questões da homossexualidade e da opressão familiar. Em seus textos, Raimundo Neto explora o corpo e a casa como espaços metafóricos que refletem as tensões e os afetos das relações humanas. Sua linguagem é cuidadosamente elaborada, buscando desvendar as camadas emocionais dos personagens e convidando o leitor a uma experiência de leitura introspectiva e transformadora. Sua escrita, que mistura o sensorial e o simbólico, tem sido elogiada por sua capacidade de iluminar as complexidades do ser e do viver.

“Neste volume de contos, as vozes são muitas e uma só. Construído numa linguagem poética, os personagens circulam pela vida prosaica com naturezas que não cabem nos nomes que recebem. Em um universo onde a homossexualidade é castrada e violentada, as narrativas conduzem o leitor ao interior das necessidades e desejos dos personagens, que procuram costurar a própria identidade e lidar com traumas que os prendem ao presente. A obra investiga a casa como um corpo, o corpo da mãe e o corpo do mundo, explorando o quanto esse corpo é vivo e abrigo, e o quanto ele é a câmara que precede o desfazimento.”

“Este romance é a jornada de um filho para se libertar da casa/útero da mãe. É também a história íntima de um menino sobre sua homossexualidade demonizada, do corpo/casa como espaço de pertencimento, resistência e perdição, e da violência soturna das relações familiares. Numa casa dominada pela presença feminina, construída para servir aos homens distantes e brutos, nasce o anti-herói para existir como um corpo estranho no corpo da casa. A prosa lírica e sensorial do autor explora a casa como personagem fundamental, onde há secura e umidade, dor e gozo, chão e teto, território vasto e devastado.”