
Prisca Agustoni nasceu em Lugano, Suíça, em 20 de maio de 1975. Sua formação acadêmica inclui uma graduação em literatura hispânica e filosofia, além de um mestrado em estudos de gênero pela Universidade de Genebra. Em 2002, mudou-se para o Brasil, onde concluiu seu doutorado em literatura comparada na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), em Belo Horizonte. Desde 2008, atua como professora titular de língua e literatura italiana na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais. Sua trajetória literária é marcada por um intenso multilinguismo, escrevendo e se auto traduzindo em italiano, português, francês e espanhol. Esse trânsito entre culturas e idiomas é um pilar central de sua obra, que abrange poesia, prosa e literatura infantojuvenil. Além de sua produção autoral, Agustoni realiza um importante trabalho de tradução de poesia brasileira contemporânea e de autores suíços de língua italiana. Reconhecida por sua abordagem ética e política, Prisca Agustoni explora em seus trabalhos questões cruciais da contemporaneidade, como a condição do feminino, os dramas da migração e a urgência da relação entre humanidade e natureza, consolidando-se como uma voz relevante no cenário literário lusófono e internacional.
A carreira literária de Prisca Agustoni é definida por seu profundo engajamento com o multilinguismo e a autotradução, utilizando-se do italiano, português, francês e espanhol como ferramentas para explorar fronteiras culturais e linguísticas. Sua obra poética, em particular, frequentemente aborda temas sociais e ambientais urgentes. Livros como "O mundo mutilado" (2020) e "O gosto amargo dos metais" (2022) são exemplos marcantes de sua capacidade de transformar eventos traumáticos, como as tragédias de migração e os desastres ambientais de Mariana e Brumadinho, em poesia de rara beleza e profundidade, atuando como um testemunho poético. Seu estilo é caracterizado por uma "escavação" na linguagem e nas imagens em busca de elementos essenciais para a percepção da realidade, permitindo que a voz do 'outro', o inerme, o deslocado, emerja. A constante intersecção de línguas e culturas em sua escrita cria um espaço híbrido, um 'canteiro de obras infinito' onde a obra está em constante processo de produção e ressignificação. Com trabalhos premiados e aclamados pela crítica, Agustoni se estabelece como uma autora que não apenas transita, mas constrói pontes entre diferentes universos literários e existenciais, convidando o leitor a um olhar menos antropocêntrico e mais integrado sobre o mundo, como evidenciado em seu futuro livro "Quimera" (2025).

“Este livro reflete poeticamente sobre as tragédias de Mariana e Brumadinho, expondo as consequências devastadoras do extrativismo desenfreado em Minas Gerais. Agustoni utiliza a destruição como matéria-prima para a poesia, explorando a linguagem e as memórias do Rio Doce, que os ameríndios chamam de Watu. A obra, que venceu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte e o Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa, é um testemunho da capacidade da poesia de ressurgir em meio às ruínas.”

“Revisita a imagem da 'casa' com forte presença do corpo, discutindo o lugar estrangeiro da imagem da autora nas casas que habita: física, corporal e da palavra.”