
Hamilton Pereira da Silva nasceu em 1948, na cidade de Porto Nacional, atual estado do Tocantins. Na juventude, abandonou o ensino médio para ingressar na Aliança Libertadora Nacional (ALN) e atuar na resistência armada contra a ditadura militar no Brasil. Em 1972, aos 24 anos, foi preso pelo aparato repressivo estatal, enfrentando sessões de tortura e permanecendo encarcerado em prisões de Goiás, São Paulo e no Distrito Federal até o ano de 1977. Após deixar a prisão, dedicou-se à militância social, passando a atuar no Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e na Comissão Pastoral da Terra (CPT). Participou da fundação de sindicatos de trabalhadores rurais e de organizações políticas e sociais, incluindo o Partido dos Trabalhadores (PT), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na administração pública, serviu como Secretário de Cultura do Distrito Federal em duas gestões (1997-1998 e 2011-2014) e atuou como Secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental no Ministério do Meio Ambiente a partir de 2007. Paralelamente, presidiu a Fundação Perseu Abramo entre 2003 e 2007. No meio acadêmico, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Católica de Brasília em 2013 e da Universidade Federal do Tocantins em 2014. Em 2024, sua história de vida e período de cárcere inspiraram o documentário 'Porto Imensidão', com direção de Lia Testa.
O trabalho literário do autor é classificado predominantemente no âmbito da literatura de testemunho. O pseudônimo 'Pedro Tierra' foi adotado durante os anos de encarceramento militar para burlar a vigilância das autoridades e estabelecer uma identidade paralela. Os primeiros versos foram redigidos de forma improvisada, utilizando lápis furtados de interrogadores para escrever no interior de maços de cigarro, sendo posteriormente contrabandeados do presídio dentro de canetas ou em correspondências clandestinas remetidas para a Europa. A estética poética consolidou-se como um mecanismo de sobrevivência psicológica, voltada para a denúncia de abusos de direitos humanos e a documentação das execuções de prisioneiros políticos. O livro inaugural assinado sob o pseudônimo estruturou e detalhou essas vivências carcerárias. Na década de 1980, a produção ramificou-se para temas ecológicos, indígenas e afro-brasileiros através de trabalhos litúrgico-poéticos redigidos em coautoria com intelectuais, teólogos e músicos. Posteriormente, o autor dedicou-se também à literatura infantojuvenil, utilizando narrativas em prosa e verso para introduzir temas históricos nacionais. Em anos recentes, a obra diversificou-se e incluiu o gênero do conto literário, focado em resgatar as memórias de opositores do regime militar que não figuram nos arquivos oficiais.

“Reúne poemas escritos no cárcere em maços de cigarro, abordando a tortura e a morte de opositores da ditadura militar brasileira.”

“Conjunto de contos estruturados através da literatura de testemunho que expõe as dinâmicas da repressão militar e os embates de presos políticos.”