
Paulo Lins (Rio de Janeiro, 11 de junho de 1958) é um dos mais proeminentes escritores brasileiros contemporâneos, cuja obra se destaca pela crueza e precisão ao retratar as dinâmicas sociais das periferias urbanas. Nascido no bairro do Estácio e criado na favela Cidade de Deus, para onde se mudou aos sete anos, sua trajetória é intrinsecamente ligada à vivência comunitária e à observação participante. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrou movimentos de poesia antes de alcançar renome internacional com seu primeiro romance. Seu livro "Cidade de Deus" (1997) é considerado um marco da literatura brasileira moderna, nascido de um profundo trabalho de pesquisa antropológica realizado em parceria com a antropóloga Alba Zaluar. A obra transcendeu o papel e tornou-se um fenômeno cultural global após a aclamada adaptação cinematográfica de 2002. Lins seguiu carreira sólida como roteirista e escritor, mantendo seu compromisso com temas sociais e históricos, como a origem do samba e a resiliência de comunidades marginalizadas, sempre utilizando uma linguagem que funde o erudito ao vernáculo das ruas.
Lins iniciou sua jornada literária nos anos 1980 como membro da 'Cooperativa de Poetas', grupo pelo qual publicou seu primeiro livro, 'Sobre o Sol', em 1986. Durante os anos 90, trabalhou como assistente de campo em estudos sociológicos na Cidade de Deus, coletando as histórias e o vocabulário que dariam corpo ao seu romance épico. Seu estilo literário é reconhecido pelo realismo contundente e pela habilidade de converter gírias e ritmos das favelas em alta literatura. Além da ficção, consolidou-se no audiovisual escrevendo roteiros premiados para o cinema e séries da TV Globo, como 'Cidade dos Homens' e 'Suburbia', sendo um dos principais expoentes da chamada 'literatura marginal' e da narrativa afro-brasileira contemporânea.

“A saga de três gerações de moradores da favela Cidade de Deus, traçando a transição do banditismo romântico para o crime organizado. É um retrato visceral da exclusão social brasileira e da falência das instituições públicas.”

“Ambientado na década de 1920, o romance narra a efervescência cultural do Rio de Janeiro, focando na vida de músicos e cafetões do Estácio que ajudaram a criar a primeira escola de samba e a consolidar a identidade cultural do país.”