
Nascido no Rio de Janeiro em 1951, Paulo Henriques Britto viveu em Washington, D.C., nos Estados Unidos, por dois anos e meio durante sua infância, quando seu pai estava a serviço no exterior. Posteriormente, ele retornou aos EUA para estudar cinema em Los Angeles e San Francisco, embora não tenha concluído o curso; foi nesse período que começou a escrever poesia. Ao retornar ao Rio de Janeiro, dedicou-se aos estudos de Linguística, graduando-se em Língua Inglesa e Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 1978, e obtendo seu mestrado em Letras pela mesma instituição em 1982. Atualmente, Britto é um renomado professor na PUC-Rio, onde ministra aulas de tradução, criação literária e literatura. Além de sua aclamada obra literária, ele é um dos mais conceituados tradutores do Brasil, tendo vertido para o português mais de cem livros de importantes autores de língua inglesa, como William Faulkner, Elizabeth Bishop, Lord Byron, John Updike, Thomas Pynchon e Charles Dickens. Em 22 de maio de 2025, Paulo Henriques Britto foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira de número 30.
A trajetória literária de Paulo Henriques Britto é caracterizada por uma singular combinação de rigor formal e uma profunda conexão com temas do cotidiano. Sua poesia é frequentemente associada à tradição de Emily Dickinson, destacando-se pela predileção por metalinguagem, metodologia e formas literárias rigorosas, o que o aproxima da poesia concreta. Contudo, Britto também mantém uma proximidade com a "Geração Mimeógrafo", movimento que promovia a espontaneidade literária e o uso da gíria para realçar a vida diária, influenciado pela música rock e pela música popular brasileira. Ele é reconhecido por sua meticulosidade na escrita, chegando a produzir apenas entre quatro e seis poemas por ano. Sua vasta experiência como tradutor influencia profundamente seu processo criativo, conferindo uma perspectiva única à sua própria obra.

“A coletânea de poemas "Macau" explora a linguagem como um território a ser desvendado, utilizando formas fixas como o soneto, combinadas com imagens prosaicas e humor. O título faz referência à antiga colônia portuguesa na China, servindo como metáfora para a arte e a situação existencial do poeta. A obra é reconhecida por sua capacidade de desafiar a lógica e provocar reflexões profundas sobre a condição humana e a arquitetura da cidade.”

“Esta antologia reúne a produção poética completa do autor entre 1982 e 2018, oferecendo uma visão abrangente de sua trajetória lírica.”