
Patrícia de Cássia Pereira Porto (São Luís, 1970) é uma escritora, poeta e pesquisadora maranhense radicada em Niterói (RJ). Doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Mestre em Educação Popular, sua trajetória intelectual une a investigação acadêmica sobre o poder da memória à criação literária de voz visceral e contemporânea. Integrante do movimento Mulherio das Letras, Patrícia utiliza sua formação em Letras para construir uma poética que dialoga com as tradições ancestrais do Maranhão, como o Tambor de Mina, e com as tensões da condição feminina na sociedade brasileira. Sua obra ganhou projeção nacional em 2020, quando seu livro de poemas 'Casa de boneca para elefantes' foi selecionado entre os semifinalistas do prestigioso Prêmio Oceanos. Além de sua produção autoral em poesia e prosa, Patrícia é professora universitária e pesquisadora, com diversos artigos publicados sobre políticas públicas e educação linguística. Sua escrita é frequentemente caracterizada pela crítica social e pela releitura de mitos clássicos sob uma perspectiva feminista e memorialística.
A carreira de Patrícia Porto é marcada pela transição da escrita acadêmica — focada em narrativas docentes e memória — para a literatura ficcional e poética. Seu estilo é definido por uma 'poesia de resistência', que utiliza mitos gregos como Antígona e Medeia para denunciar violências de gênero e injustiças sociais. Suas obras de contos e crônicas mergulham em reminiscências da infância no Maranhão e nas durezas da vida adulta, equilibrando crueza e musicalidade. Ela é uma voz ativa em coletivos literários femininos e atua como uma ponte entre o pensamento crítico da academia e a sensibilidade lírica da poesia marginal e contemporânea.

“Considerada sua obra de maior destaque, este livro de poemas utiliza a imagem de um elefante confinado em uma casa de bonecas para tratar da impossibilidade de asfixiar a subjetividade da mulher. É uma obra de linguagem visceral que investiga os espaços de confinamento físico e emocional impostos pelo patriarcado.”

“Neste livro, Patrícia Porto constrói uma ponte entre a Tebas mitológica e os terreiros de São Luís. A Antígona que ela apresenta é uma mulher preta, maranhense, que luta para manter viva a memória de sua gente contra o apagamento histórico e a violência política.”