
Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1975, e mudou-se para o Rio de Janeiro, Brasil, aos dois anos de idade, onde passou sua infância e juventude. Embora não tenha se naturalizado brasileira, a condição de viver entre duas línguas e culturas é um tema recorrente em sua obra, tanto acadêmica quanto literária. Ela é graduada em Letras e Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente, Paloma Vidal é professora de Teoria Literária na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) desde 2009. Sua carreira literária começou em 2003 com a publicação de "A duas mãos" e, desde então, tem explorado diversos gêneros como contos, romances, teatro e poesia. Além de sua produção autoral, Vidal é tradutora de importantes autores latino-americanos e editora da revista Grumo, contribuindo significativamente para o diálogo entre as literaturas brasileira e argentina.
A trajetória literária de Paloma Vidal é marcada pela exploração da identidade, do deslocamento, do exílio e da experiência de viver entre culturas. Sua obra reflete uma profunda investigação sobre a memória e o impacto da política latino-americana na vida dos indivíduos, especialmente em suas personagens femininas. Ela transita com fluidez entre o ficcional e o biográfico, utilizando uma linguagem econômica e sofisticada para desvendar dramas psicológicos e a complexidade das relações humanas. Vidal não busca apenas retratar o espaço em torno da narrativa brasileira, mas a interioridade de personagens que enfrentam lugares que não lhes pertencem totalmente. Sua escrita é caracterizada por um tom melancólico e uma habilidade em construir narrativas que se desenrolam em fiapos, como peças de um quebra-cabeça movediço, onde a cronologia e os fatos são muitas vezes insinuados, exigindo a participação ativa do leitor na construção do sentido. A autora também é conhecida por sua atuação como pesquisadora, focada em literatura latino-americana contemporânea, narrativas de exílio, migrações e viagens, além de estudos sobre tradução e a vivência entre idiomas.

“O primeiro romance de Paloma Vidal explora a profunda jornada de uma mulher em busca de sua identidade, que, ao se deslocar por diversas metrópoles como Buenos Aires, Rio de Janeiro e Los Angeles, se depara com a dificuldade de estabelecer vínculos duradouros e a solidão inerente à condição de desterritorialização do migrante.”

“Neste romance, Paloma Vidal mergulha na memória e no exílio através da história de uma mulher solitária em uma cidade estrangeira que, ao ler os diários de seu pai, desvenda as pistas de uma história familiar incompleta. A obra explora a ausência, o luto e a dificuldade de fixar afetos, com a água e as lembranças da praia servindo como alento em um cotidiano marcado pela melancolia.”