
Olívio Jekupé nasceu em Novo Itacolomi, Paraná, e é uma das vozes mais contundentes da literatura indígena contemporânea. Membro do povo Guarani, sua trajetória é marcada pela transição da tradição oral para a escrita, utilizando o livro como uma ferramenta política de resistência e preservação cultural. Jekupé estudou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e na Universidade de São Paulo (USP), experiências que consolidaram sua crítica à representação estereotipada dos povos originários na literatura clássica brasileira. Atualmente vivendo na aldeia Kakane Porã, em Curitiba (tendo residido por muitos anos na aldeia Krukutu, em São Paulo), o autor dedica-se a registrar as histórias de seu povo e a promover o conceito de 'Literatura Nativa', termo que prefere em detrimento de 'Literatura Indígena' para enfatizar a autonomia e o protagonismo autoral. Pai de cinco filhos, incluindo o rapper e escritor Kunumi MC, Olívio estende sua influência para as novas gerações, integrando o Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (NEArIn).
A carreira de Olívio Jekupé teve início na década de 1980, mas consolidou-se nos anos 90 com a publicação de obras que desafiavam a visão romântica do 'índio' na literatura nacional. Seu estilo literário é caracterizado pela simplicidade narrativa que mimetiza a contação de histórias ao redor da fogueira, frequentemente incorporando termos em guarani e críticas sociais diretas. Ele é um defensor ferrenho da bibliodiversidade e da educação bilíngue, publicando diversos títulos em edições que preservam a língua materna de seu povo ao lado do português.

“A obra acompanha a trajetória de um jovem indígena que ingressa no seminário para se tornar padre, explorando o conflito entre sua identidade ancestral e os dogmas da Igreja Católica.”

“A história de Tupã, um estudante de filosofia guarani em Curitiba nos anos 90, e seu encontro com Kairú, uma jovem Kaingang que busca abrigo na cidade.”