
Nascido em São Paulo, em 5 de março de 1960, Nuno Ramos é uma figura central na arte e literatura brasileira contemporânea. Formado em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) entre 1978 e 1982, ele iniciou sua trajetória artística em 1982 como co-fundador do ateliê Casa 7, ao lado de outros artistas. Começou na pintura, mas logo expandiu sua atuação para trabalhos tridimensionais, instalações, vídeos e performance, tornando-se conhecido pela exploração de materiais heterogêneos e pela interrogação dos limites da arte. Paralelamente à sua prolífica carreira nas artes visuais, Nuno Ramos consolidou-se como escritor, publicando sua primeira obra, "Cujo", em 1993. Sua produção literária, que abrange prosa, poesia, contos, ensaios e crônicas, frequentemente reflete a profundidade conceitual e a abordagem multifacetada de seu trabalho visual. Ele foi agraciado com importantes reconhecimentos literários, como o Prêmio Portugal Telecom de Literatura, e sua obra é marcada por uma densidade que investiga a realidade brasileira, a linguagem e a condição humana.
A trajetória de Nuno Ramos é caracterizada pela constante experimentação e pela permeabilidade entre as mais diversas formas de expressão. Após sua formação em filosofia, que lhe proporcionou uma base conceitual sólida, ele imergiu no campo das artes visuais na década de 1980, destacando-se inicialmente na pintura para depois incorporar a escultura, a instalação e o vídeo. A partir dos anos 90, sua escrita ganhou projeção, com livros que desafiam categorizações e misturam gêneros, muitas vezes ecoando as tensões e materialidades presentes em suas obras plásticas. Seu estilo literário é reconhecido pela precisão textual, pela capacidade de explorar temas que variam do cotidiano à metafísica e pela abordagem crítica da realidade, em especial a brasileira. Ramos utiliza a escrita como um espaço de reflexão e indagação, onde a linguagem se torna maleável e se confronta com as complexidades do mundo, revelando uma profunda interconexão entre sua produção visual e literária, onde uma informa e amplia as possibilidades da outra.

“"Ó" é um livro de narrativas poéticas que transita com fluidez entre contos, poemas em prosa, crônicas, ensaios e autobiografia, sem se prender a classificações rígidas. A obra reflete a inquietude de Nuno Ramos e sua experiência de perda da evidência do sentido da arte, traduzindo para a linguagem verbal a complexidade e a materialidade de suas obras visuais. Com uma vastidão antropológica e uma meditação sobre a ruína, o livro se instala em uma zona de arrebentação da linguagem, onde todas as molduras dos antigos gêneros literários e modalidades do discurso fluem e refluem, convidando o leitor a uma participação determinante na construção de sentidos.”

“Em "Junco", Nuno Ramos combina poemas e fotografias em uma obra que se aprofunda na decomposição dos signos e na autorreflexividade. Os textos, intercalados por imagens de um cachorro morto e um tronco de árvore na beira do mar, exploram a relação entre a linguagem e a materialidade, desafiando a hierarquia entre elas. O livro busca o sentido do mundo, remetendo a uma "máquina do mundo cão", e estrutura uma paisagem marítima infernal onde se opera uma junção e tensão figural entre os restos animais e vegetais, e entre o texto e a imagem.”