
Nikolaus Hubertus Josef Maria von Behr, mais conhecido como Nicolas Behr, nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 5 de agosto de 1958. Filho de fazendeiros alemães, passou sua infância entre Cuiabá, Diamantino (MT), onde estudou com padres jesuítas, e a fazenda dos pais. Em 1974, mudou-se para Brasília, cidade que se tornaria sua grande musa e tema recorrente em sua obra. Em 1977, lançou seu primeiro livro, 'Iogurte com farinha', de forma independente e mimeografada, vendendo 8.000 cópias de mão em mão, o que o estabeleceu como uma das vozes proeminentes da poesia marginal e da Geração Mimeógrafo no Brasil. Durante a ditadura militar, em 1978, Behr foi preso e processado pelo DOPS sob a acusação de 'posse de material pornográfico', sendo absolvido em 1979. Impedido judicialmente de publicar por um ano, ele criou a série 'O que me der na telha', escrevendo poemas em telhas frescas que depois eram queimadas. Além de sua carreira literária, atuou como redator publicitário e teve um papel ativo no movimento ambientalista, cofundando o MOVE – Movimento Ecológico de Brasília em 1982, a primeira ONG ambientalista da capital federal. Atualmente, dedica-se profissionalmente ao seu viveiro de plantas, o Pau-Brasília, conciliando sua paixão pela natureza com a produção poética.
A trajetória literária de Nicolas Behr é marcada pela inovação e pela ruptura com os cânones estabelecidos, consolidando-o como uma das principais vozes da poesia marginal brasileira. Iniciou sua carreira com a autopublicação de livros mimeografados, um método que se tornou a marca da Geração Mimeógrafo, permitindo a circulação de sua obra fora dos circuitos editoriais tradicionais. Sua poesia é caracterizada pela linguagem direta, coloquial, e por um humor ácido e provocativo, abordando temas do cotidiano, questões políticas, sociais e ambientais. Brasília, a cidade onde reside desde a adolescência, é uma presença constante e central em sua obra, servindo tanto como cenário quanto como musa e objeto de reflexão crítica e afetuosa. Behr é reconhecido por explorar a relação do indivíduo com o espaço urbano e as contradições da capital federal. Sua persistência na produção independente e a forma como seus poemas dialogam com a realidade brasileira e, em particular, com a experiência brasiliense, solidificaram seu lugar como um autor singular e influente na literatura contemporânea do país.

“Esta antologia abrange três décadas da produção poética de Behr, reunindo uma seleção de seus melhores poemas. A obra é um mergulho em suas memórias, críticas sociais e reflexões sobre a vida e a cidade de Brasília, marcada por sua linguagem simples, mas profundamente instigante, e foi finalista do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.”

“Neste livro de poemas, Behr mergulha em questões existenciais, a busca por cura para feridas não aparentes, a relação com a dor, a melancolia e a ausência. Utilizando a palavra como ferramenta de elaboração psíquica, o poeta dialoga com a psicanálise e questiona o que é considerado poético, mantendo seu característico humor e provocação.”