
Nelson Gonçalves, conhecido pelo pseudônimo Nelson Maca, nasceu em 1º de setembro de 1965, em Telêmaco Borba, Paraná. Filho de operário e camponesa, teve uma infância humilde e estudou em escolas públicas. Aos treze anos, mudou-se para Curitiba, onde iniciou um curso técnico, mas sua adolescência foi marcada por diálogos políticos com a irmã mais velha e leituras alinhadas com o movimento negro e narrativas de resistência. Ele participou de discussões sobre raça, gênero e classe social, sendo introduzido a importantes autores críticos. Inclinado à literatura, Nelson Maca desistiu da carreira tecnológica e ingressou no curso de Letras da UFPR, engajando-se na militância pela causa negra. Sua juventude foi definida pelo encontro com a contracultura e o movimento negro. Em 1989, transferiu-se para o curso de Letras da UFBA, em Salvador, onde se aprofundou nas reflexões sobre racismo e formas de resistência, influenciado por intelectuais como Carlos Moore. Concluiu licenciatura e bacharelado em Letras na UFBA, especializando-se em literatura e mais tarde realizando mestrado na mesma instituição. Em 1996, tornou-se professor de literatura brasileira na Universidade Católica de Salvador, onde lecionou até 2019. Sua obra e seu ativismo são influenciados por figuras como Mano Brown, Thaíde, Lima Barreto, Richard Wright, Jean-Paul Sartre e Frantz Fanon.
A carreira de Nelson Maca é profundamente entrelaçada com o ativismo social e a promoção da cultura negra. Ele é poeta, performer e professor, utilizando a literatura como um espaço de confronto, memória e reinvenção. Fundou o Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, em 1999, um grupo político-artístico que reúne poetas, artistas e ativistas do Hip Hop, e organiza eventos como o Sarau Bem Black e o Slam Lonan. Em 2012, lançou seu "Manifesto da Literatura Divergente ou Manifesto Encruzilhador de Caminhos", defendendo a superação de conceitos tradicionais de arte. Seus trabalhos exploram a negritude, a educação e a música, buscando narrativas que valorizem o povo preto e combatam o racismo. Nelson Maca é conhecido por suas performances poéticas, onde gesticula e utiliza o corpo para expressar a intensidade de suas palavras, conectando a poesia com a ancestralidade e a cultura afro-brasileira, utilizando o tambor como metáfora para a poesia africana tradicional.

“Este livro de poemas aborda a identidade negra e a denúncia do racismo e da hipocrisia social, através de uma linguagem afiada e combativa.”

“A obra dialoga com a realidade da 'Bahia Preta', explorando o cotidiano tenso das comunidades negras de Salvador e como o preconceito, a discriminação e o racismo se perpetuam na sociedade.”