
Mário Rodrigues nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 1977. Desde cedo, demonstrou um profundo interesse pela leitura e pela escrita, sendo alfabetizado por sua irmã mais velha. Essa paixão inicial o levou a uma graduação em Letras e a uma especialização em Língua Portuguesa pela Universidade de Pernambuco (UPE). Atualmente, ele concilia sua carreira de escritor com a de professor de literatura, português e redação, e também mantém o blog de críticas literárias "Na estante de Mário". Sua obra é reconhecida nacionalmente e tem sido agraciada com importantes prêmios literários.
Mário Rodrigues consolidou sua carreira literária explorando tanto o conto quanto o romance. Seu estilo é notável por narrativas concisas e impactantes, frequentemente caracterizadas por contos curtos, frases sintéticas e ideias cirúrgicas. Sua escrita aborda temas como a crueldade e a violência na infância, muitas vezes rompendo as barreiras entre os gêneros literários de conto e romance. Rodrigues defende que uma "boa literatura" se sustenta em um tripé fundamental: Personagem, Linguagem e Narrativa, buscando provocar no leitor uma reflexão profunda e multifacetada. Sua participação em eventos literários nacionais e internacionais, como a FLIP e o Salão do Livro de Paris, destaca sua relevância no cenário literário brasileiro.

“A obra mergulha na infância, retratada como uma "zona obscura e amedrontadora" onde se manifestam, com transparência máxima, as paixões e desejos inconfessáveis da natureza humana, em desajuste com o mundo exterior. Os contos, curtos e impactantes, são conduzidos por um narrador cruel através de relatos sobre experiências, relações e aprendizados, gerando uma sequência de sobressaltos e revelações. O livro também se destaca por transitar entre o conto e o romance, com narrativas autônomas que se interligam por um protagonista e situações recorrentes.”

“O romance policial acompanha os detetives Rodrigo Geborte e Ernandes Lima na investigação da morte de Antônio Claiô, um líder comunitário e político indígena, encontrado com um tiro no peito em um aparente suicídio. A morte beneficia a poderosa família Matta, os oligarcas da cidade, sugerindo disputas políticas, jurídicas e financeiras. A trama mergulha na intimidade dos Matta e nas entranhas da cidade, que se torna uma metonímia do Brasil, abordando o genocídio de povos originários, especulação imobiliária e a violência enraizada na história do país. "Claiô" é uma palavra de origem iatê, da língua Fulniô, que significa "não branco", referindo-se ancestralmente ao território de Garanhuns.”