
Márcia Benedita Barbieri nasceu em Indaiatuba, São Paulo, em 1979. É graduada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e possui mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Além de sua notável carreira como escritora, Márcia Barbieri atua também como psicanalista e professora. Ela foi uma das idealizadoras do Coletivo Púcaro, do canal Pílulas Contemporâneas e do projeto Pinot Noir Literatura, demonstrando seu engajamento ativo na cena literária brasileira. Seus textos foram publicados em diversas antologias e revistas literárias, e ela também é colunista d'O Bule. Sua obra 'A Puta' foi contemplada com uma bolsa de tradução pela PEN America e lançada em inglês como 'The Whore' em 2023.
A trajetória literária de Márcia Barbieri é marcada por uma escrita que é frequentemente descrita como 'mordaz' e 'marcante', desafiando o leitor a confrontar a ilusão confortável da realidade. Sua prosa é poética, forte e densa, com um estilo que se mantém fiel em suas escolhas vocabulares e saltos poéticos, criando novas imagens e experiências estéticas. A autora não teme expor 'as vísceras, os escarros, os fluxos e o animal que vive entre quatro paredes', abordando temas como a morte, as relações humanas conflituosas e a busca pela feminilidade em suas nuances mais brutas e transcendentais. Em suas obras, como a 'Trilogia do Corpo' ('A Puta', 'O Enterro do Lobo Branco' e 'A Casa das Aranhas'), Barbieri explora o pan-erotismo e a carnalidade vocabular, mergulhando na psique de seus personagens e expondo suas subjetividades. Sua obra mais recente, 'Tempo de Cão', continua a explorar a força da forma e do conteúdo, com múltiplos personagens e um foco nas figuras materna e paterna, além de recursos estilísticos modernos como a aceleração e desaceleração da narrativa. Barbieri é uma 'artífice do verbo', quebrando regras e desordenando a forma de narrar para deslocar o leitor de sua realidade cotidiana.

“Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2018, este romance é uma imersão nas 'entranhas da alma humana', revelando segredos obscuros, medos viscerais e esperanças secretas. Márcia Barbieri desordena a forma de narrar e expõe 'as vísceras, os escarros, os fluxos e o animal que vive entre quatro paredes', confrontando o leitor com questões incômodas e silenciadas. A obra é um desafio tanto na forma quanto no conteúdo, exigindo atenção redobrada.”

“Encerrando a 'Trilogia do corpo', este romance aprofunda a exploração do pan-erotismo, da feminilidade 'aberta à animália e ao brutesco', e de uma 'carnalidade vocabular'. A trama se desenrola em uma casa que pulsa como um organismo e se desmaterializa no espaço-tempo, refletindo os sentimentos selvagens de seus habitantes. Personagens como Augustina e Ester se relacionam em um circuito de promiscuidade, presos a um desejo insaciável e a uma 'casa que é uma prisão intransponível'.”