
Nascida em Santarém, Pará, em 26 de dezembro de 1988, Monique Malcher é uma figura multifacetada na cena cultural brasileira. Possui graduação em Jornalismo pela Universidade da Amazônia (2013), mestrado em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (2018) e é doutora interdisciplinar em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Sua formação acadêmica e suas experiências de vida, incluindo sua vivência no Pará e a influência das histórias contadas por sua avó materna, moldaram profundamente sua abordagem literária, que combina prosa poética e temas sociais relevantes. Monique é reconhecida por sua escrita que transita entre a literatura, o jornalismo e as artes plásticas, atuando também como colagista. Sua obra de estreia, 'Flor de Gume', lhe rendeu o prestigiado Prêmio Jabuti em 2021 na categoria Contos, tornando-a a segunda mulher do Norte do Brasil a receber tal honraria no eixo de literatura. Atualmente reside em São Paulo, mas mantém uma forte conexão com suas raízes amazônicas, que são uma fonte constante de inspiração para suas narrativas.
A trajetória literária de Monique Malcher é marcada por um profundo enraizamento em suas origens amazônicas e uma exploração de temas sociais e femininos. Ela começou a escrever aos dez anos de idade, desenvolvendo uma escrita que é intrinsecamente ligada à oralidade e às narrativas das mulheres de sua família, especialmente de sua avó ribeirinha. Sua experiência como jornalista também é um pilar importante na construção de suas narrativas, conferindo-lhes uma base sólida e uma perspectiva crítica. Malcher se destaca por não querer ser categorizada como uma autora 'regional', defendendo a universalidade da literatura feita no Pará. Seu estilo literário é caracterizado pela prosa poética, que aborda questões como violência doméstica, abuso sexual, alienação parental e a resiliência feminina através de diferentes gerações. Além da escrita, Monique também se expressa através das artes plásticas, utilizando a colagem digital e analógica. Sua obra tem alcançado reconhecimento internacional, com 'Flor de Gume' sendo homenageado e debatido em instituições nos Estados Unidos e com tradução em breve para o espanhol no México. Seu segundo livro, 'Degola', representa sua estreia como romancista, prometendo aprofundar sua exploração da condição humana e do território amazônico.

“Originalmente publicado em 2020 pela editora Jandaíra, e com uma nova edição pela editora Moinhos em 2025, 'Flor de Gume' é uma coletânea de 37 contos em prosa poética que mergulha nas histórias de três gerações de mulheres paraenses. A obra aborda com sensibilidade e profundidade temas complexos como alienação parental, abuso sexual e a resiliência feminina diante da violência. A narrativa mística incorpora elementos da estética do tarô, entrelaçando corpo e território, natureza e memória, e oferecendo uma poderosa representação do Norte do Brasil.”

“Previsto para ser lançado em 2025 pela Companhia das Letras, 'Degola' marca a estreia de Monique Malcher como romancista. O livro apresenta a história de Sol, que, após vivências violentas na infância, encontra na natação um caminho para a transformação e um rito de passagem. A obra é elogiada por combinar a precisão poética com a complexidade narrativa, explorando a dor, a interrupção e a cumplicidade de um país em fatiar suas terras e pessoas, tornando-se um 'pequeno milagre da escrita'.”