
Nascido em Manaus, Amazonas, em 19 de agosto de 1952, Milton Assi Hatoum é descendente de libaneses, uma herança cultural que frequentemente permeia suas obras. Após a infância e adolescência em Manaus, mudou-se para Brasília em 1967 e, em 1970, para São Paulo, onde se graduou em Arquitetura pela USP. Posteriormente, estudou literatura comparada na Sorbonne, em Paris. Ao retornar ao Brasil, lecionou literatura na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e foi professor visitante em instituições como a Universidade da Califórnia em Berkeley. A partir de 1998, dedicou-se integralmente à escrita e colaborou como colunista para o jornal O Estado de S. Paulo. Sua escrita é notável pela abordagem de dramas familiares com profundidade psicológica, que se entrelaçam com contextos históricos e políticos, como o período da ditadura militar brasileira. Hatoum mescla lembranças pessoais com o ambiente sociocultural da Amazônia e do Oriente, criando narrativas de tom melancólico e um "hibridismo cultural" característico. Seus livros já venderam mais de 400 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos para dezessete países, solidificando sua reputação internacional. Em 2023, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Amazonas e, em 14 de agosto de 2025, foi eleito para ocupar a cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras.
A trajetória literária de Milton Hatoum começou a ganhar destaque com seu primeiro romance, "Relato de um Certo Oriente" (1989), que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance. Sua obra é marcada pelo "aspecto memorialístico" e pela valorização de "elementos regionais", explorando a imigração e as complexidades da Amazônia. Hatoum é conhecido por um estilo enxuto, mas repleto de sutilezas, onde o drama familiar frequentemente serve como metáfora para discussões sociais e políticas mais amplas. Ele explora temas como a "desorganização das relações familiares" e o "aniquilamento das convenções", com um tom crítico em relação à ditadura militar brasileira, especialmente em romances como "Dois Irmãos" e "Cinzas do Norte". Sua trilogia "O Lugar Mais Sombrio", iniciada com "A Noite da Espera" (2017) e seguida por "Pontos de Fuga" (2019), representa um projeto ambicioso que entrelaça a formação de jovens durante a ditadura com dramas pessoais, afastando-se do cenário amazônico central de suas obras anteriores para explorar Brasília e São Paulo.

“A intensa rivalidade entre os gêmeos Omar e Yaqub em uma família de origem libanesa em Manaus. Uma obra-prima sobre ciúme, identidade e a decadência de uma cidade.”

“Considerado uma obra-prima por diversos críticos, este romance é um texto de memória, sem ser autobiográfico, que entrelaça a história pessoal e familiar. Ele narra o retorno de uma mulher a Manaus após duas décadas, desvendando segredos familiares e a vida da matriarca Emilie por meio de múltiplos relatos e perspectivas, explorando a construção da identidade.”