
Nascida no Rio de Janeiro em 1994, Mateus Baldi é uma figura central na nova crítica literária brasileira. Formou-se em Comunicação Social pela PUC-Rio e em Roteiro Cinematográfico pela Escola Darcy Ribeiro, além de possuir mestrado em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Iniciou sua trajetória profissional colaborando com importantes veículos de imprensa, como a revista piauí, O Globo e O Estado de S. Paulo, consolidando-se como uma das vozes mais atentas à produção contemporânea. Em 2016, fundou a plataforma 'Resenha de Bolso', um projeto dedicado à crítica de ficção que se tornou referência no Instagram e no meio editorial. Sua transição da crítica para a ficção ocorreu de forma sólida, explorando em sua escrita temas como a hostilidade urbana, as tensões de classe e a complexidade dos afetos. Atualmente, Baldi é representada pela Agência Riff e reconhecida pela precisão psicológica de suas narrativas curtas.
Mateus Baldi iniciou sua carreira no jornalismo cultural e na crítica literária, ganhando visibilidade pela curadoria de antologias e pela análise rigorosa de obras contemporâneas. Sua estreia na ficção com 'Formigas no paraíso' (2022) revelou um estilo marcado pela concisão e pela habilidade em capturar pequenos dramas cotidianos, especialmente sob a perspectiva de personagens femininas. Em sua obra mais recente, 'Os anos de vidro' (2025), a autora aprofundou sua investigação sobre identidade, gênero e as fissuras da vida no Rio de Janeiro, utilizando uma estrutura narrativa fragmentada que lhe rendeu o prestigiado Prêmio APCA.

“O livro ficcional de estreia de Mateus Baldi, 'Formigas no Paraíso', é uma coletânea de onze contos provocadores que se aprofundam na psique do indivíduo urbano contemporâneo, situados no desmistificado Rio de Janeiro. A obra, que recebeu um texto de orelha de Noemi Jaffe, destaca-se pelo foco na complexidade psicológica das personagens, predominantemente femininas, e aborda temas como a hipocrisia das relações humanas, traumas e violências nem sempre explícitas. A maturidade da escrita de Baldi, caracterizada por ser concisa e penetrante, oferece ao leitor a sensação de estar diante de um autor experiente, que domina a arte da escrita e a observação da vida.”

“Em 'Os anos de vidro', Mateus Baldi apresenta onze contos entrelaçados por fissuras temporais, afetivas e identitárias. Os personagens, marcados pela inquietação e incompletude, exploram as fronteiras do desejo, do gênero e da linguagem em um cenário urbano em ruínas e hostil. Através de histórias como a de um homem surdo confrontado pela violência, uma criança impactada por um linchamento e um narrador que experimenta um vestido preto, Baldi revela afetos desviantes, tensões de classe e epifanias inesperadas no cotidiano. A obra, que inicialmente surgiu como o conto 'Cavalo' sobre uma jovem em transição de gênero, é uma investigação profunda que recusa o encerramento, expondo a precariedade dos vínculos e a beleza do desvio com prosa poética e emocional.”