
Marilene Felinto nasceu em Recife, Pernambuco, em 1957, e mudou-se para São Paulo aos 11 anos de idade. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, consolidou-se como uma voz fundamental na literatura brasileira ao unir o rigor estético a uma postura política incisiva. Estreou com o romance 'As Mulheres de Tijucopapo' (1982), que se tornou um marco literário ao abordar a identidade feminina, a migração e o racismo estrutural. Além de sua obra ficcional, Felinto possui uma longa trajetória no jornalismo cultural e de opinião, tendo sido colunista de veículos como a Folha de S.Paulo e a revista Caros Amigos. Foi a primeira escritora negra brasileira a ter um romance traduzido para diversos idiomas, incluindo inglês, francês, holandês e catalão, o que evidencia sua importância internacional na discussão sobre a diáspora e a condição da mulher na América Latina.
A carreira de Marilene Felinto é caracterizada por uma prosa densa, frequentemente marcada pelo fluxo de consciência e pela exploração da subjetividade em contraste com as desigualdades sociais. Integrante da chamada 'Geração 80', ela rompeu com moldes tradicionais da narrativa brasileira ao trazer para o centro de sua obra a experiência da mulher nordestina e negra em trânsito. Sua atuação como jornalista e ensaísta complementa sua ficção, mantendo uma crítica constante às hierarquias de poder e ao conservadorismo do mercado editorial e da imprensa.

“O romance de estreia de Marilene Felinto narra a viagem de retorno da protagonista Rízia de São Paulo a Tijucopapo, uma localidade fictícia no interior de Pernambuco, inspirada na história de Tejucupapo, onde mulheres enfrentaram invasores holandeses no século XVII. A narrativa, construída em fluxo de consciência, entrelaça a busca pessoal de Rízia por suas raízes com a história das mulheres de sua família, abordando com teor histórico, feminista e antirracista as contradições da sociedade multirracial brasileira.”

“Neste novo romance, Marilene Felinto conta a história de uma mulher negra que deixa uma vida confortável nos Estados Unidos para retornar ao Nordeste brasileiro em busca de reparação e justiça para sua família. A protagonista investiga o racismo e a exploração do trabalho de seus pais desde a infância, enfrentando os riscos e os poderosos em uma região onde persistem a opressão e a violência no campo. O livro aborda temas como ancestralidade, luta de classes, desigualdade e as complexidades da memória familiar.”