
Nascida em São Paulo em 1986, Mariana Salomão Carrara é formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e atua profissionalmente como defensora pública do Estado de São Paulo. Sua trajetória literária iniciou-se em 2007, ainda durante a graduação, mas sua consagração crítica ocorreu na última década, tornando-a uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea. Sua obra é reconhecida pela profundidade psicológica e pelo tratamento sensível de temas difíceis, como o luto e a finitude. Mariana concilia a escrita ficcional com seu trabalho jurídico, extraindo dessa dualidade uma percepção aguda sobre a subjetividade humana e as relações sociais, o que a levou a ser finalista de prêmios importantes como o Jabuti e vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura.
O estilo de Carrara é caracterizado por um rigor estético que mimetiza a oralidade e explora narrativas em primeira pessoa, muitas vezes sob perspectivas femininas. Seus livros evitam a romantização da experiência humana, focando na melancolia, no humor sutil e na busca por sentido diante da morte. A autora ganhou destaque por sua capacidade de inovação formal, como visto em seu romance de 2024, que utiliza objetos e elementos da natureza como narradores para discutir saúde mental e resistência no campo.


“Um magistrado relata seus anos de trabalho no interior do Mato Grosso em uma espécie de defesa autobiográfica elaborada para justificar sua lentidão em um processo judicial.”