
Nascida em Santos, São Paulo, em 1942, Maria Valéria Rezende é uma figura singular na literatura brasileira. Em 1965, ingressou na Congregação de Nossa Senhora – Cônegas de Santo Agostinho, um ano após o golpe militar de 1964, período em que chegou a abrigar militantes em sua casa. Sua formação acadêmica inclui graduação em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Nancy, na França, Pedagogia pela PUC-SP e mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba. Desde os anos 1960, dedicou-se à educação popular, atuando em diversas regiões do Brasil e em outros continentes, em programas de formação de educadores. Viveu em Pernambuco (Recife e Olinda) de 1972 a 1976 e, a partir de 1976, na Paraíba, primeiro no meio rural e, desde 1986, em João Pessoa, onde reside atualmente. Sua vasta experiência com comunidades populares e sua vivência engajada são elementos fundamentais que permeiam sua produção literária. Apesar de escrever desde a infância, Maria Valéria Rezende só estreou na literatura de ficção pouco antes de completar 60 anos, com o livro de contos "Vasto Mundo", em 2001. Desde então, publicou dezenas de títulos em diferentes gêneros, incluindo romances, contos e literatura infantojuvenil, conquistando importantes prêmios nacionais e internacionais. Sua obra é marcada pela sensibilidade em retratar a realidade de pessoas comuns e excluídas, dando voz aos 'invisíveis' da sociedade. É também uma das idealizadoras do Mulherio das Letras, um coletivo literário feminista que busca maior representatividade para as autoras brasileiras.
A trajetória literária de Maria Valéria Rezende é notável por sua estreia tardia e pelo impacto de suas obras, que se consolidaram como vozes importantes da literatura brasileira do século XXI. Após décadas dedicadas à educação popular, sua produção ficcional começou em 2001 com "Vasto Mundo", um livro de contos que abriu caminho para uma série de publicações. Seu estilo é caracterizado pela empatia e pelo olhar atento às questões sociais, frequentemente explorando a vida de personagens marginalizados, como em "O Voo da Guará Vermelha" (2005) e "Quarenta Dias" (2014). Este último lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2015, um marco em sua carreira. Com "Outros Cantos" (2016), a autora reafirmou seu prestígio ao receber o Prêmio São Paulo de Literatura, o Jabuti e o Casa de Las Américas em 2017. Sua escrita transita com elegância entre o erudito e o popular, questionando padrões e promovendo uma literatura mais diversa. Além disso, sua co-criação do Mulherio das Letras em 2017 demonstra seu engajamento contínuo na cena literária e feminista.

“O romance narra o encontro de Rosálio, um pedreiro analfabeto que atravessa o país em busca de alguém para ensiná-lo a ler e escrever, e Irene, uma prostituta soropositiva com um conhecimento precário das letras. Do compartilhamento de suas histórias, nasce uma profunda amizade e a possibilidade de novos horizontes, enquanto Rosálio concretiza seu desejo de se tornar um contador de histórias e Irene encontra força para lutar contra a doença.”

“Uma coletânea de doze contos que estabelecem um diálogo criativo e bem-humorado com clássicos da literatura universal.”