
Maria José Rios Peixoto da Silveira Lindoso, conhecida como Maria José Silveira, nasceu em Jaraguá, Goiás, em 1947. Filha do político José Peixoto da Silveira e da poetisa Galiana Rios, mudou-se para Goiânia e depois para Brasília, onde se formou em Comunicação pela Universidade de Brasília. Trabalhou como redatora publicitária em São Paulo a partir de 1969. Durante a ditadura militar, foi perseguida e exilou-se no Peru em 1973, onde estudou Antropologia na Universidade Nacional Maior de San Marcos. Retornou ao Brasil em 1976 e fez pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade de São Paulo. Em 1980, cofundou a Editora Marco Zero, onde atuou como diretora até 1998. Sua estreia na literatura de ficção foi em 2002, com o romance 'A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas', que lhe rendeu o Prêmio Revelação da APCA. Além de sua prolífica carreira literária, Maria José Silveira também é tradutora e editora, e tem livros publicados em diversos países. Desde 2010, escreve crônicas para o jornal O Popular, de Goiânia. Sua obra, que abrange romances, contos e literatura infantojuvenil, demonstra um profundo interesse pela história e cultura brasileiras, frequentemente abordando questões sociais e a experiência feminina em um contexto histórico e político.
A trajetória literária de Maria José Silveira é marcada pela sua habilidade em tecer narrativas que mesclam a ficção com a história e a antropologia, frequentemente centradas em protagonistas femininas e na história do Brasil. Sua obra aborda temas como a situação indígena, a busca por identidade e os impactos dos acontecimentos históricos na vida das pessoas, como visto em 'A Mãe da Mãe de sua Mãe e suas Filhas', que reconta a formação do Brasil através de uma linhagem de mulheres. Seu estilo se caracteriza por uma narrativa envolvente que combina humor, sensualidade e crítica social, explorando as contradições da sociedade latino-americana e brasileira. A autora também demonstra versatilidade ao transitar entre diferentes gêneros, desde romances épicos até obras infantojuvenis e crônicas, mantendo sempre um olhar atento às complexidades humanas e aos desafios socioambientais.

“Este romance de estreia e premiado de Maria José Silveira traça uma genealogia fascinante de mulheres ao longo de quinhentos anos da história brasileira. Começando com o nascimento da índia Inaiá em 1500, a narrativa acompanha vinte descendentes em diferentes épocas e regiões do país, revelando suas vidas, amores, tragédias e contribuições para a formação do Brasil. É um painel multifacetado da mulher brasileira, explorando suas lutas por sobrevivência e autonomia em meio às complexidades e contradições da nação.”

“Em 1970, após perder tudo em um terremoto no Peru, Alelí busca um novo começo na Amazônia brasileira. Ela conhece Manuel Juruna na aldeia Paquiçamba, mas a tragédia a atinge novamente com a morte dele. Alelí abandona sua filha recém-nascida, Maria Altamira, na cidade de Altamira. Anos depois, Maria Altamira luta contra a construção da Usina de Belo Monte e, em São Paulo, busca a verdade sobre a morte de seu pai, enquanto o destino dessas duas mulheres fortes e marcadas pela destruição se entrelaça.”