
Nascida em Patos de Minas, Minas Gerais, em 1º de fevereiro de 1963, Maria Esther Maciel de Oliveira Borges iniciou sua trajetória acadêmica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1981, onde cursou Letras. Obteve seu mestrado em Literatura Brasileira em 1990 e doutorado em Literatura Comparada em 1995 pela mesma instituição. Complementou sua formação com pós-doutorados em Cinema pela Universidade de Londres (1999/2000) e em Literatura Comparada pela USP (2012/2013). Atualmente, é professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Teoria e História Literária da Unicamp, após ter sido professora titular de Literatura Comparada na UFMG até 2018. É membro da Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira de número 15. Sua produção literária abrange diversos gêneros, incluindo poesia, ficção, crônicas e ensaios, e sua pesquisa se aprofunda na relação entre literatura e animalidade, um campo que ela denomina 'zooliteratura'. Maria Esther Maciel tem uma abordagem transdisciplinar, integrando em seus estudos e obras referências da filosofia, zoologia, etologia, ecocrítica e biopolítica. Participou de importantes eventos literários, como a Feira do Livro de Frankfurt em 2013, onde representou o Brasil, e a Feira Literária de Paraty (FLIP) em 2016. Além de sua carreira como escritora e pesquisadora, Maria Esther Maciel foi cronista semanal do Caderno de Cultura do jornal Estado de Minas (2011-2014) e colaboradora do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo (desde 2012). É idealizadora e diretora editorial da revista 'Olympio – Literatura e Arte' e coordena a Tlön Serviços Literários, focada em edição, consultoria, revisão e tradução. Sua obra é amplamente reconhecida e tem sido finalista de diversos prêmios literários no Brasil.
A trajetória literária de Maria Esther Maciel é marcada pela versatilidade e pela profunda investigação de temas. Iniciou na poesia com 'Dos haveres do corpo' (1984/1985) e 'Triz' (1998/1999), explorando o lirismo e a experimentação. Posteriormente, expandiu-se para a ficção, com romances como 'O livro de Zenóbia' (2004) e 'O livro dos nomes' (2008), que se destacam pela prosa poética e por estruturas narrativas inovadoras. No campo do ensaio, Maciel consolidou-se como uma importante teórica, especialmente por sua pesquisa em 'zooliteratura', investigando a representação dos animais na literatura ocidental. Livros como 'O animal escrito: Um olhar sobre a zooliteratura contemporânea' (2008), 'Literatura e animalidade' (2016) e 'Animalidades: Zooliteratura e os limites do humano' (2023) são marcos nessa área, mesclando biologia, filosofia e literatura. Sua obra é caracterizada por uma escrita híbrida, que transita entre gêneros, utilizando elementos de enciclopédias, listas e verbetes para construir narrativas e reflexões. A autora demonstra um interesse constante em desconstruir clichês, como a maternidade idealizada em 'Essa Coisa Viva' (2024), e em explorar a complexidade das relações humanas e não humanas. Sua vasta produção e engajamento acadêmico a tornam uma figura central na literatura contemporânea brasileira, com uma voz crítica e experimental.

“Neste romance, Maria Esther Maciel apresenta uma teia de relações humanas através de 26 personagens, de Antônio a Zenóbia, que entram em cena em ordem alfabética. A obra explora a singularidade de cada nome e a forma como eles moldam e revelam identidades e destinos. Foi finalista de prêmios importantes como o São Paulo de Literatura, Portugal Telecom e Jabuti, além de ter recebido menção especial no Prêmio Casa de las Américas 2009.”

“Uma coletânea de 76 verbetes que abarcam os reinos animal e vegetal, apresentando uma mistura única de biologia e poesia. O livro é uma enciclopédia idiossincrática que explora seres reais e imaginários, com ilustrações que enriquecem a experiência. Além de ser uma obra literária inventiva, funciona como um manifesto e denúncia sobre crimes ambientais e a degradação do planeta. Recebeu o Prêmio Candango de Literatura em 2022.”