
Nascida em Bodocó, Pernambuco, em 18 de outubro de 1963, Maria Aparecida Pedrosa Bezerra, mais conhecida como Cida Pedrosa, mudou-se para o Recife em 1978, onde consolidou sua trajetória poética e ativista. Lançou seu primeiro livro, "Restos do fim", em 1982, aos 19 anos. Feminista e comunista, engajou-se na defesa dos direitos humanos, atuando em organizações como o Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Diocese de Palmares e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape). Paralelamente à carreira literária, Cida Pedrosa ocupou cargos na administração pública, incluindo a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria da Mulher do Recife, onde implementou iniciativas como a Brigada Maria da Penha e políticas para incluir as necessidades das mulheres no planejamento urbano. Em 2020, foi eleita vereadora do Recife pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), cargo para o qual atualmente exerce seu segundo mandato. Sua obra é marcada por um profundo engajamento social, abordando temas como a cultura nordestina, a urbanidade do Recife, o feminismo e as desigualdades sociais. Sua poesia frequentemente utiliza uma linguagem que mistura o lírico e o épico, com referências musicais e históricas, estabelecendo-se como uma das vozes mais singulares da poesia contemporânea brasileira.
A trajetória literária de Cida Pedrosa teve início na década de 1980, quando integrou o Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco, o que a levou a participar de recitais de rua e publicações alternativas. Essa experiência influenciou seu estilo, que mescla a lírica pessoal com uma forte vertente social. Sua poesia é caracterizada pela musicalidade, por uma rica imagética e por um diálogo direto com a história e as questões sociais brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao Nordeste e ao universo feminino. Ao longo de sua carreira, Cida Pedrosa desenvolveu um estilo que transita entre a vanguarda e a tradição, utilizando frequentemente versos metrificados e rimados, inspirados em cordelistas e cantadores populares. Essa abordagem permite que sua obra seja acessível e, ao mesmo tempo, profunda em suas reflexões sobre a sociedade, a política e a condição humana. Seus livros, muitos deles premiados, refletem um compromisso contínuo com a poesia como ferramenta de conscientização e transformação.

“Considerado um poema épico-lírico, a obra explora a diáspora de negros, índios e oprimidos no sertão de Pernambuco, com foco em Bodocó, cidade natal da autora. É uma jornada poética em busca da identidade brasileira, marcada por referências musicais e culturais. Vencedor do Prêmio Jabuti 2020 nas categorias Livro do Ano e Poesia.”

“Neste longo e comovente poema, Cida Pedrosa aborda o episódio da Guerrilha do Araguaia, entrelaçando memórias pessoais, acontecimentos históricos e referências culturais das décadas de 1960 e 1970. A obra constrói um retrato brutal do autoritarismo e da violência estatal, mas também uma inabalável esperança em construir outro futuro. Foi eleito o Melhor Livro de Poesia de 2022 pelo Prêmio APCA.”