
Maria Adelaide Almeida Santos do Amaral nasceu em Alfena, Valongo, Portugal, em 1º de julho de 1942. Aos 12 anos, em 1954, emigrou com sua família para o Brasil, estabelecendo-se em São Paulo. Lá, enfrentou condições de vida desafiadoras em sua juventude. Sua formação inclui a graduação em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero em 1978, após ter cursado Ciências Sociais na USP sem concluir. Entre 1970 e 1986, trabalhou na Editora Abril, período que consolidou sua paixão pela leitura e escrita. Sua carreira na dramaturgia teve início em 1975 com o texto "A Resistência", embora sua peça "Bodas de Papel" tenha sido a primeira a ser encenada, em 1978, recebendo reconhecimento imediato. Em 1986, lançou seu romance de estreia, "Luísa, Quase uma História de Amor", obra que lhe rendeu o prestigiado Prêmio Jabuti. Em 1990, a convite de Cassiano Gabus Mendes, Maria Adelaide ingressou na teledramaturgia da Rede Globo, onde se destacou como autora de sucesso de diversas novelas e minisséries, como "A Muralha", "A Casa das Sete Mulheres" e "JK". Desde 2019, é membro da Academia Paulista de Letras.
A trajetória de Maria Adelaide Amaral é notável pela sua versatilidade e pela profundidade com que aborda as relações humanas e os contextos sociopolíticos brasileiros. Começando como jornalista, desenvolveu uma escrita concisa e ágil, característica que se manifestou em suas peças teatrais e romances. Seu estilo no teatro é marcado por diálogos realistas e a exploração de temas cotidianos e críticos, frequentemente com um forte cunho político e social, como exemplificado em "A Resistência" e "Bodas de Papel". Na televisão, especializou-se em minisséries históricas, adaptando grandes obras da literatura brasileira e portuguesa, e também assinou novelas de sucesso. Sua habilidade reside em construir narrativas complexas e personagens críveis, explorando temas como amizade, família, desilusões geracionais e o impacto de eventos históricos nas vidas individuais. Sua obra, tanto na literatura quanto na teledramaturgia, reflete uma constante preocupação em espelhar e discutir a sociedade, o que a solidificou como uma das vozes mais importantes da cultura luso-brasileira contemporânea.

“O romance de estreia de Maria Adelaide Amaral narra a complexa história de Luísa, uma mulher que intriga e fascina. Sua vida é revelada através das impressões e memórias de cinco personagens próximos: um amigo gay, um ex-chefe apaixonado, um ex-amante, uma amiga idealista e o ex-marido. Ambientado em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1970, o livro expõe as relações pessoais e os ideais políticos da época, incluindo o impacto da ditadura militar e a militância. Vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Obra de Ficção em 1987, a obra foi posteriormente adaptada para o teatro sob o título 'De Braços Abertos'.”

“Este romance aborda a temática da amizade e da desilusão de uma geração que viveu intensamente os ideais de esquerda durante a ditadura militar brasileira (1964-1985) nos anos 70. A trama se desenrola a partir do suicídio de Leo, um dos amigos, em 1989, que mobiliza o reencontro da 'velha turma'. Entre rancores e divergências políticas, o profundo afeto que os une se sobrepõe às diferenças. A narrativa, baseada em fatos reais da vida da autora, explora o passado e o presente do grupo, suas dores, alegrias, fracassos e desilusões. A obra inspirou a minissérie 'Queridos Amigos', exibida pela Rede Globo em 2008.”