
Marcelo Mirisola nasceu em São Paulo em 1966 e é uma das vozes mais provocativas da literatura brasileira contemporânea. Formado em Direito, optou por não exercer a profissão para se dedicar à escrita, estreando no final da década de 1990. Sua trajetória é marcada pela recusa ao 'bom-mocismo' literário e pelo uso de uma linguagem que transita entre o lírico e o escatológico, frequentemente explorando temas como o fracasso afetivo, a hipocrisia social e a decadência urbana. Influenciado por autores como Charles Bukowski e Henry Miller, Mirisola construiu uma obra vasta que desafia as fronteiras entre a biografia e a ficção. Ao longo de sua carreira, colaborou com importantes veículos culturais como a Revista Cult e o site Congresso em Foco. Em 2024, reafirmou sua independência editorial ao fundar o selo 'Velhos Bárbaros' para publicar suas obras mais recentes, mantendo-se fiel ao estilo 'maldito' que o consagrou como um autor de culto.
Mirisola surgiu na cena literária com 'Fátima fez os pés para mostrar na choperia' (1998), destacando-se imediatamente por sua narrativa agressiva e antiautoritária. Durante as décadas de 2000 e 2010, publicou por grandes editoras como Record e Editora 34, consolidando títulos como 'O azul do filho morto' e 'Joana a contragosto'. Seu estilo é caracterizado por narradores masculinos em crise, o uso recorrente da autoficção e uma crítica feroz ao mercado editorial tradicional, o que o levou a adotar modelos de publicação independente e direta em anos recentes.

“Considerado a obra-prima de Mirisola, este romance de formação invertido mergulha na memória familiar, na morte do pai e no ressentimento. Através de uma linguagem fragmentada e sarcástica, o autor desconstrói o mito da família perfeita dos anos 70 e 80.”

“Um dos livros mais emocionais do autor, focado no luto pela perda simultânea dos pais. A obra derruba as fronteiras entre realidade e ficção, entregando uma narrativa de desamparo e fúria literária.”