
Nascido em 9 de setembro de 1984, em Blumenau, Santa Catarina, Marcelo Labes é filho de um operário e uma doméstica, vindo de uma família descendente de imigrantes alemães de classe trabalhadora. Desde cedo, demonstrou grande interesse pela literatura, tendo seu primeiro contato com a leitura ao encontrar 'Espumas Flutuantes', de Castro Alves. Frequentou uma escola pública de artes e a Escola de Música do Teatro Carlos Gomes. No ensino médio, em um internato no Rio Grande do Sul, aprofundou-se em autores como Kafka, Sartre, Saramago, Camus e García Márquez. Embora tenha iniciado os cursos de Letras e Ciências Sociais, não os concluiu. Sua trajetória literária começou a ganhar forma com a publicação de um poema, 'Dois Amores', no jornal Zero Hora em 2000. Sua obra é marcada por uma abordagem crítica da sociedade do Vale do Itajaí e de sua formação de ascendência alemã, perscrutando as facetas do humano e seu lugar no mundo. Labes reside em Florianópolis, Santa Catarina, e é o fundador da Caiaponte Edições, editora pela qual publicou muitas de suas obras, buscando contornar os desafios do mercado editorial. Marcelo Labes transita entre a poesia e a prosa, com uma escrita ferina, provocativa e contundente. Ele explora temas como a opressão do Estado, ditaduras, governos de extrema direita e a germanidade, além de aspectos menos abordados de sua cidade natal e sua infância marginalizada, como o abuso sexual e as marcas da infância. O autor enfatiza que sua escrita é um ato político, ressoando na sociedade e questionando narrativas estabelecidas.
A carreira literária de Marcelo Labes teve início em 2008 com o lançamento de 'Falações' (poemas) pela EdiFurb. Em 2015, publicou 'Porque Sim Não é Resposta' e, em 2016, 'O Filho da Empregada' (poema longo) e 'Trapaça' (poemas). Um marco em sua poesia foi 'Enclave' (2018), pela editora Patuá, que foi finalista do Prêmio Jabuti em 2019 na categoria Poesia. No mesmo ano, publicou 'O Poeta Periférico'. Em 2019, estreou na prosa com o romance 'Paraízo-Paraguay', lançado pela Caiaponte Edições, editora que fundou. Esta obra foi um sucesso, vencendo o Prêmio São Paulo de Literatura em 2020 (Melhor Romance de Ficção de Estreia) e conquistando o segundo lugar no Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional em 2020. Seu segundo romance, 'Três Porcos' (2020), foi vencedor do Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional em 2021. Em 2021, lançou 'Amor de Bicho' (novela) e 'O Nome de Meu Pai' (poemas). Em 2023, publicou 'Deus não dirige o destino dos povos', obra que venceu o Prêmio Cruz e Sousa em 2025. Seu romance mais recente é 'Memória do Chão' (2025), lançado pela Companhia das Letras. Labes é conhecido por sua escrita que questiona a cultura e a geografia de sua região, explorando uma 'germanidade postiça' e a invisibilidade de certas histórias e pessoas do Sul do Brasil e da América Latina. Ele também edita a revista eletrônica O Poema do Poeta, onde divulga originais manuscritos de poetas e ficcionistas.

“Este romance de estreia ficcionaliza a imigração alemã em Blumenau e as atrocidades da Guerra do Paraguai, especialmente o massacre de crianças. A obra questiona a visão laudatória do Sul do Brasil e explora a complexidade das origens. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2020 e 2º lugar no Prêmio Machado de Assis 2020.”

“Vencedor do Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional em 2021. O romance apresenta o personagem-narrador Rafael, que lida com os intensos conflitos resultantes de abusos sexuais sofridos na infância. A obra aborda temas complexos como desamparo, silenciamento, perpetuação da violência, poder econômico, papel social do homem, sexualidade e homoafetividade.”