
Mar Becker (Marceli Andresa Becker) nasceu em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, em 1986. Graduou-se em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e possui especialização em Epistemologia e Metafísica pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Sua formação filosófica reflete-se em uma poesia densa e meditativa, que busca no silêncio e nas pequenas coisas do doméstico uma linguagem para o indizível feminino. Sua estreia literária em 2020 foi um marco na poesia contemporânea brasileira, recebendo aclamação da crítica e sendo finalista do Prêmio Jabuti. Atualmente radicada em São Paulo, Becker consolidou-se como uma das vozes mais potentes de sua geração, com obras publicadas tanto no Brasil quanto em Portugal e traduzidas para o inglês e o francês.
A trajetória de Mar Becker é pautada por uma escrita que investiga a materialidade do corpo — sangue, suor, choro — e a relação das mulheres com o espaço e o tempo. Sua carreira ganhou projeção nacional imediata com seu primeiro livro, 'A mulher submersa', que lhe rendeu o Prêmio Minuano de Literatura. Desde então, tem colaborado com importantes casas editoriais como Urutau, Assírio & Alvim e Círculo de Poemas (Fósforo), além de participar ativamente do cenário literário em eventos como a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty).

“Em "Sal", Mar Becker prossegue sua exploração do universo feminino, mas com uma estética mais austera e uma interiorização dos temas, onde o sal simboliza tanto a secura da memória quanto a dimensão trágica da existência, permeada por imagens do deserto salino e da petrificação. O livro, sem títulos para os poemas, convida o leitor a uma reflexão sobre a tensão entre o silêncio e a renomeação, revividos na língua poética da autora.”

“Em "Noite devorada", Mar Becker explora o amor de uma maneira íntima e particular, tecendo versos que descrevem os movimentos e as complexidades dos corpos apaixonados, permeando-se de medos, saudades e desejos nas "horas devastadoras" das noites longas, onde a delicadeza também devora à sua maneira. A poeta se aventura em falar de amor palavra por palavra, fazendo o amor falar, e demonstra que é possível encontrá-lo no espaço infinito de um livro.”