
Nascido em Cariré, Ceará, em 1991, Mailson Furtado Viana é um nome multifacetado na cultura brasileira. Formou-se em Odontologia pela Universidade Federal do Ceará e, desde 2014, concilia sua carreira literária e artística com a atuação como servidor público e profissional autônomo. Residente em Varjota desde a infância, ele demonstrou seu engajamento cultural ao fundar o Grupo CriAr de Teatro em 2006, onde desempenha os papéis de ator, diretor e dramaturgo. É também o produtor cultural da Casa de Arte CriAr, editor da Edições CriAr e curador da Mostra Varjota Letras & Livros. Além de sua intensa atividade teatral e editorial, Furtado atuou como Secretário de Cultura de Varjota em 2021. Sua versatilidade se estende à imprensa, sendo colunista do jornal O POVO, e sua produção literária alcançou projeção internacional, com poemas e textos de opinião publicados em jornais, revistas e antologias no Brasil, França e Portugal. Mailson Furtado é também um provocador em cursos, oficinas e palestras sobre arte, cultura, literatura, teatro e mercado editorial, compartilhando sua vasta experiência e conhecimento.
A trajetória de Mailson Furtado Viana na literatura é marcada por uma forte inclinação à autopublicação e à valorização do sertão cearense, seu cenário de origem e inspiração. Sua escrita se caracteriza por uma fusão de influências, mesclando o rigor científico adquirido em sua formação acadêmica com a riqueza coloquial e cabocla de suas vivências no interior. Em suas obras, ele mergulha na "mitologia popular" e nas complexidades da vida em pequenas cidades, como evidenciado em "À cidade". Esteticamente, Furtado explora abordagens inovadoras, incorporando elementos do concretismo, neoconcretismo, rimas incertas e uma notável ausência de pontuação gráfica, inspirada pela poesia oriental. Essa experimentação lhe confere uma voz poética singular, capaz de ecoar por entre as diversas vertentes da literatura contemporânea. Sua atuação não se restringe à escrita; ele é uma figura central no teatro e na produção cultural local, dirigindo, atuando e dramatizando no Grupo CriAr de Teatro, além de impulsionar a Casa de Arte CriAr. Sua obra "À cidade" se tornou um marco ao conquistar o Prêmio Jabuti de forma independente, abrindo caminho para que outros talentos do interior do país pudessem ter maior visibilidade no cenário literário nacional.

“Considerado um poema único pelo autor, "À cidade" tece um retrato profundo e multifacetado do cotidiano de uma cidade do interior do Nordeste brasileiro. A obra explora a maneira como o ser humano é moldado e impactado pelo ambiente urbano e seus elementos geográficos, históricos, sociológicos, políticos, metafísicos e folclóricos. Lançado de forma independente, este livro conquistou o Prêmio Jabuti em duas categorias de grande relevância: Poesia e Livro do Ano, marcando um feito inédito para uma publicação autônoma.”

“"Litígio" reúne 16 narrativas curtas que desnudam as vivências dos sertões do nordeste brasileiro. Os contos, imersos na oralidade local, apresentam personagens e cenários que constroem a identidade desses lugares, como vendedores de picolés, pescadores e contadores de histórias. A obra se destaca por costurar o real e o fantástico, amplificando o poder simbólico das singularidades das histórias guardadas nos sertões do Brasil, com uma linguagem burilada que "prende o leitor e o nocauteia".”