
Luiz Fernando Ruffato de Souza, conhecido como Luiz Ruffato, nasceu em Cataguases, Minas Gerais, em 4 de fevereiro de 1961. Filho de um pipoqueiro de ascendência portuguesa e de uma lavadeira de origem ítalo-norte-italiana, suas raízes humildes e sua infância operária moldaram profundamente sua visão de mundo e sua produção literária. Antes de se dedicar integralmente à escrita, trabalhou em diversas funções, como operário têxtil, torneiro mecânico e balconista. Ele estudou jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), formando-se em 1981. Em 1990, mudou-se para São Paulo, onde atuou como jornalista, inclusive para o jornal "O Estado de S. Paulo", ao mesmo tempo em que desenvolvia sua carreira como escritor. Essa experiência na metrópole paulista e seu contato com as realidades da classe trabalhadora se tornaram pilares temáticos de sua obra, que frequentemente aborda a desigualdade social, a migração e as nuances do Brasil contemporâneo. Sua escrita, frequentemente elogiada pela originalidade e ousadia formal, é um espelho da diversidade brasileira. Ruffato é conhecido por seu estilo experimental e pela "polifonia de vozes" que permeia seus livros, incorporando diferentes gêneros textuais para construir um panorama dinâmico da vida urbana e dar voz aos marginalizados. Ele tem sido uma figura proeminente na literatura brasileira, ganhando reconhecimento tanto nacional quanto internacional por sua capacidade de expor as realidades sociais de seu país de forma contundente e inovadora.
A trajetória literária de Luiz Ruffato é marcada por um projeto estético e político claro: trazer para a ficção brasileira as cenas e os personagens oriundos da classe média baixa e do operariado, frequentemente retratados de maneira superficial ou paternalista. Sua obra se dedica a recriar literariamente a história do proletariado brasileiro desde a década de 1950 até o início do século XXI, utilizando uma multiplicidade de recursos estilísticos que incluem narrativas fragmentadas, fluxo de consciência, recortes jornalísticos e outros gêneros textuais. O autor explora temas como a industrialização do Brasil, o cotidiano na metrópole de São Paulo e as experiências de imigrantes e migrantes internos, construindo um mosaico complexo da sociedade. Romances como "Eles eram muitos cavalos" e a pentalogia "Inferno Provisório" são considerados marcos em sua carreira, destacando-se pela crueza e honestidade na abordagem das mazelas sociais e pela inovação formal. Ruffato frequentemente embaralha as fronteiras entre ficção e realidade, utilizando a literatura como um meio de reflexão crítica sobre o país e suas identidades.

“Considerado um marco na literatura brasileira do século XXI, este romance fragmentado retrata um único dia na caótica metrópole de São Paulo através de 70 capítulos curtos, cada um com um estilo textual diferente (narrativa, notas de jornal, horóscopo, poesia, etc.). Ruffato capta a polifonia urbana e a multiplicidade de vidas anônimas, oferecendo um panorama visceral da desigualdade social e da existência nas grandes cidades.”

“Coletânea de dezoito contos que narram episódios da vida de personagens anônimos, abordando temas como memória, violência, solidão e as dinâmicas do cotidiano brasileiro.”