
Luciany Aparecida Alves Santos nasceu em 1982 em Jaguaquara, no Vale do Jiquiriçá, Bahia. Sua infância foi dividida entre a comunidade rural do Charco, em Irajuba, e o município de Santa Inês, também na Bahia. Criada na casa dos avós, ao lado da mãe e de tias, Luciany foi exposta a diversas histórias e formas de mídia desde cedo, desenvolvendo um profundo apreço pela leitura. Aos cinco anos, sua avó a levou para Santa Inês em busca de uma educação de melhor qualidade. É Doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e atualmente atua como Professora Doutora no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Luciany decidiu escrever sob seu próprio nome durante a pandemia de COVID-19, buscando criar mais representatividade para grupos minoritários, dos quais faz parte como mulher negra e lésbica.
A trajetória literária de Luciany Aparecida é marcada pela exploração de temas como violência colonial, patriarcado e questões de gênero, muitas vezes utilizando diferentes 'assinaturas estéticas' ou pseudônimos – Ruth Ducaso para prosa (geralmente melancólica e que aborda suicídio), Margô Paraíso para poesia (frequentemente violenta) e Antônio Peixôtro. Sua escrita é performática, quebrando fronteiras entre poesia, ficção e realidade, e busca dar voz a personagens marginalizados, especialmente mulheres negras e idosas, propondo uma narrativa contracolonial. Ela transita entre contos, romances, poesia e dramaturgia, e seu trabalho acadêmico sobre teoria e crítica literária, com foco em nação, migração, história, memória, identidades e performances, influencia diretamente sua produção literária. Luciany é uma voz ativa na promoção da literatura e do ativismo, participando de fóruns, entrevistas e aparições na mídia.

“No interior da Bahia, Maria Teresa vive em um casarão de frente para um lajedo de pedra, onde uma tragédia com um fazendeiro violento muda sua vida para sempre. Ela se torna uma 'matadora de bois' e, através de sua história, o romance desvela a resistência de mulheres fortes do vilarejo, abordando conflitos de terra, mortes, segredos do passado e sentimentos clandestinos.”

“Um poema em série de 11 partes que estabelece um diálogo com a clássica fotografia 'Mulher negra da Bahia' (1885) de Marc Ferrez. A obra de Luciany Aparecida explora o que está oculto na imagem, focando na estética da joalheria e indumentária de origem africana do final do século XIX no Brasil, e questiona o que a mulher da foto traz dentro do punho cerrado, um gesto de resistência.”