
Nascida em 7 de novembro de 1986, em São Paulo (SP), Lubiana Prates Raimundo Pereira, conhecida como Lubi Prates, é uma figura multifacetada no cenário literário brasileiro, atuando como poeta, editora, tradutora, curadora de literatura e fotógrafa. Ela possui graduação em Psicologia e cursa Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento Humano na Universidade de São Paulo (USP), onde se dedica a estudos sobre subjetividades negras e relações raciais. Sua trajetória é marcada por um profundo engajamento social, dedicando-se a ações que combatem a invisibilidade de mulheres e pessoas negras, seja por meio de sua escrita, curadoria de festivais literários ou seu trabalho editorial. Prates iniciou sua carreira literária com a publicação de seu primeiro livro de poesia em 2012 e desde então tem consolidado uma voz potente na poesia contemporânea. Além de seus livros autorais, ela é cofundadora e editora da "nossa editora" e foi jurada de importantes prêmios literários como o Prêmio Sesc de Literatura, Prêmio Oceanos e Prêmio Jabuti. Seu trabalho como tradutora inclui a edição brasileira da "Poesia Completa" de Maya Angelou e obras de Audre Lorde, Lucille Clifton, entre outros. A autora também produziu e está prestes a lançar sua primeira exposição fotográfica individual, "Maternidade negra à luz".
A trajetória de Lubi Prates na literatura brasileira é caracterizada por uma evolução contínua em sua expressão poética e um crescente engajamento com temas sociais, em especial a negritude e o feminismo. Sua obra poética começou com "coração na boca" (2012), explorando sentimentos intensos, e amadureceu com "triz" (2016), que aprofundou sua busca por uma voz autoral. O marco de sua carreira veio com "um corpo negro" (2018), onde sua poesia se tornou um instrumento poderoso para a exploração da identidade negra e a desconstrução de estereótipos, sendo amplamente reconhecida e traduzida. Com "até aqui" (2021), ela continuou a entrelaçar amor e negritude, abordando a condição de imigrante e a busca por pertencimento. Além de sua produção autoral, Prates tem um papel ativo na promoção da literatura, organizando festivais como "[eu sou poeta]" (São Paulo, 2016) e "Otro modo de ser" (Barcelona, 2018), e co-organizando a antologia "Cardumes de borboletas" (2024), que resgata vozes de poetas brasileiras do século XIX. Seu trabalho como editora na "nossa editora" e na revista "Parênteses" demonstra seu compromisso em dar visibilidade a novas vozes. Sua formação em psicologia e sua tese de doutorado na USP informam sua abordagem rigorosa e sensível às questões de desenvolvimento humano, relações raciais e subjetividades negras, permeando sua produção artística e ativismo.

“Este livro de poesia narra o percurso da autora no reconhecimento e afirmação de sua identidade negra. Os poemas abordam as manifestações físicas da negritude – pele, cabelo, boca e nariz – e se aprofundam nas histórias de seus ancestrais e nas experiências pessoais, buscando desconstruir a visão de inferioridade associada ao corpo negro e reafirmar sua existência e valor. A obra foi finalista de importantes prêmios literários.”

“Quarto livro de poesia de Lubi Prates, 'até aqui' é uma obra que explora a intersecção entre amor e negritude, solidificando a voz lírica da autora na cena literária nacional. Os poemas dão sustentação à ideia de atravessamento, revisitando a condição de imigrante e a dificuldade de encontrar um lugar para chamar de seu, mesmo em um país natal. Foi finalista do 64º Prêmio Jabuti.”