
Lilia Guerra nasceu em São Paulo, em 1976, e cresceu em uma família matriarcal, composta por sua mãe, avó e irmã. Sua trajetória de vida foi profundamente influenciada por essas relações e pelas experiências da periferia paulistana. Ela nunca conheceu seu pai, e essa lacuna e as histórias de sua mãe sobre ele inspiraram seu primeiro livro. Antes de se dedicar plenamente à escrita, Lilia trabalhou como empregada doméstica, assim como sua mãe e avó, uma experiência que ela descreve como um 'rito de passagem'. Atualmente, além de escritora, atua como auxiliar de enfermagem no Sistema Único de Saúde (SUS), na Zona Leste de São Paulo, onde vive há mais de duas décadas em Cidade Tiradentes. Desde cedo, Lilia cultivou um relacionamento íntimo com a literatura, afirmando que 'a biblioteca era a minha casa e os livros eram meus brinquedos'. Sua escrita é marcada por um olhar atento às realidades das mulheres da periferia, buscando dar nome, rosto e história a figuras que frequentemente são invisibilizadas pela sociedade. Ela dedica grande parte de suas obras à sua avó, Dona Júlia, e se empenha em ações de incentivo à leitura e à escrita, especialmente nas comunidades periféricas de São Paulo.
Lilia Guerra iniciou sua carreira literária em 2014, com a publicação de 'Amor Avenida', um livro inspirado na vida de sua mãe. Sua obra se destaca por dar voz a mulheres negras e periféricas, abordando temas como ancestralidade, desigualdade social e as complexidades do cotidiano dessas personagens. Lilia utiliza a literatura como uma ferramenta para "romper o anonimato das mulheres da periferia", transformando figuras como "a moça do café" ou "a tia da limpeza" em protagonistas de narrativas ricas e pungentes. Seus livros, como 'Perifobia', 'Rua do Larguinho' e 'O céu para os bastardos', têm recebido reconhecimento da crítica e do público, sendo finalistas de importantes prêmios literários no Brasil e solidificando seu lugar como uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea brasileira.

“O romance narra a história de Sá Narinha, uma empregada doméstica que carrega o peso da culpa por seu filho. Através de sua perspectiva, Lilia Guerra constrói um vasto panorama da vida nas periferias, apresentando personagens que habitam a comunidade conhecida como 'Fim do Mundo', em meio a rotinas de ônibus, rodas de samba e velórios. A obra é um profundo mergulho nas complexidades e na humanidade dessas mulheres.”

“Esta coleção de contos mergulha nas histórias, muitas vezes brutais e sensíveis, dos habitantes da periferia. Lilia Guerra cunhou o neologismo 'Perifobia' para intitular a obra, expressando a repulsa e o preconceito que muitas vezes envolvem esses locais e suas pessoas. O livro desafia estereótipos e humaniza as experiências marginalizadas.”