
Leonardo Piana nasceu em Andradas, Minas Gerais, em 1992. Ele se formou em Comunicação pela USP e divide sua vida entre a escrita e o serviço público. Sua carreira literária teve início com o romance "Sismógrafo" (2022), que rapidamente conquistou reconhecimento. O livro venceu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte e foi finalista de importantes prêmios como o Jabuti, o São Paulo de Literatura e o Mix Literário. Piana também se aventurou na poesia, sendo premiado com "Escalar cansa" (2025) no Prêmio Sesc de Literatura. Seu segundo romance, "Tarde no planeta" (2025), também foi vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Suas obras frequentemente abordam a vivência de um homem gay no interior, a complexidade das relações familiares e a reflexão sobre catástrofes pessoais e coletivas.
A trajetória literária de Leonardo Piana é marcada por uma profunda exploração de temas íntimos e sociais, enraizados em sua experiência como homem gay nascido e criado no interior de Minas Gerais. Sua escrita em prosa, evidenciada em "Sismógrafo" e "Tarde no planeta", é caracterizada por uma veia poética forte, com narrativas de formação que transitam entre passado e presente. Ele utiliza a geografia de sua cidade natal, Andradas, como um personagem que molda a experiência de seus protagonistas. Em "Sismógrafo", ele aborda a aceitação da homossexualidade, a memória e o amadurecimento, dando voz a corpos e encontros que desafiam as convenções de uma cidade conservadora. Já em "Tarde no planeta", Piana expande suas inquietações para crises existenciais e a iminência de catástrofes ambientais, mantendo um diálogo com a poesia como forma de encontrar contornos para a experiência humana. Sua incursão na poesia com "Escalar cansa" demonstra sua versatilidade e a continuidade de temas como afeto, dor, resistência e identidade, entrelaçando mitologia grega com vivências contemporâneas.

“Considerado seu romance de estreia, 'Sismógrafo' mergulha na jornada de Eduardo, que, após anos longe, retorna a Andradas, sua cidade natal. A narrativa desdobra-se entre lembranças de sua adolescência, o despertar do amor por Tomás, um colega mais velho, e o impacto da homossexualidade em uma sociedade interiorana conservadora. O livro explora a memória como um 'álbum de fotografias' que registra catástrofes pessoais e coletivas, as violências sutis do preconceito e a complexidade do amadurecimento.”

“Este romance explora a dimensão da finitude e a instável relação humana com o 'não humano' através da história de Carlos, um adolescente de dezesseis anos em uma pequena cidade da Serra da Mantiqueira que carrega o segredo de uma catástrofe ambiental iminente. Entre a migração das aves, a fome das vacas e a fuga dos gatos, Carlos e sua família navegam pelas inquietações de um mundo em transformação, buscando na poesia um contorno para a experiência da perda e a redefinição dos laços familiares em meio ao apocalipse.”