
Julián Fuks nasceu em São Paulo, em 1981, filho de pais argentinos que buscaram refúgio no Brasil fugindo da ditadura militar em seu país de origem. Sua formação acadêmica inclui graduação em Jornalismo, mestrado em Teoria Literária e doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada, todos pela Universidade de São Paulo (USP). Ao longo de sua carreira, Fuks atuou como resenhista e repórter de literatura para veículos como a Folha de S.Paulo e a revista Cult. Suas obras são notáveis por uma forte influência da literatura argentina e pela exploração dos limites entre ficção e realidade, frequentemente incorporando elementos biográficos e fatos históricos em suas narrativas. Em 2012, foi agraciado com a inclusão na lista da revista Granta como um dos vinte melhores jovens escritores brasileiros, solidificando sua posição no cenário literário nacional. Sua escrita é marcada por um profundo engajamento com temas como memória, identidade, exílio e o próprio ato da criação literária, que ele frequentemente aborda de maneira confessional e reflexiva. Fuks reside e trabalha em São Paulo, continuando a contribuir para a literatura brasileira com sua prosa singular e introspectiva.
A trajetória literária de Julián Fuks iniciou-se em 2004 com o volume de contos "Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu", obra que lhe rendeu o Prêmio Nascente da USP. Desde então, suas obras têm sido consistentemente aclamadas, frequentemente abordando o gênero da autoficção, onde o autor se mistura com o narrador e os personagens para explorar questões pessoais e políticas. Sua escrita é caracterizada por uma reflexão sobre o processo criativo e o papel da escrita como um ato de resistência e descoberta contínua. Fuks demonstrou uma habilidade singular em mesclar a análise crítica e ensaística com a ficcionalização de vidas e eventos, como evidenciado em "Histórias de literatura e cegueira", que se baseia em biografias de grandes autores. Seu estilo se aprofunda em questões complexas, como a herança do exílio e o trauma de ditaduras, especialmente a argentina, que afetou sua própria família. Livros como "A Resistência" e "A Ocupação" são exemplos claros dessa abordagem, onde ele equilibra o tom político com a introspecção pessoal. Julián Fuks se consolidou como um escritor que não teme confrontar os fantasmas do passado e as complexidades do presente, utilizando a literatura como um meio para provocar reflexão e autoconhecimento, tanto para si quanto para o leitor.

“Nesta obra aclamada, Julián Fuks mergulha na autoficção para contar a história de uma família de origem argentina que se exila no Brasil, fugindo da ditadura militar. O romance explora as complexidades da memória, a busca por uma identidade em terras estrangeiras e o legado dos traumas políticos e familiares, questionando o que significa herdar um exílio. Ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Ficção e Melhor Romance em 2016, o Prêmio Literário José Saramago em 2017 e o Anna Seghers em 2018.”

“Mantendo a veia autoficcional, Fuks explora neste romance as experiências de moradia e as ocupações de escolas, entrelaçando a narrativa pessoal com questões sociais e políticas urgentes. O livro aborda a complexidade de se posicionar diante de conflitos sociais e a busca por um lugar no mundo, tanto físico quanto simbólico, em um contexto de profunda desigualdade.”