
Nascida em São Paulo, em 1983, Julia Codo possui uma sólida formação acadêmica e profissional no campo da literatura e comunicação. Ela é formada em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduada em Editoração e Jornalismo Cultural pela Universidade de Roma La Sapienza. Sua carreira abrange diversas áreas, atuando como editora, escritora, roteirista e tradutora. Em 2019, foi selecionada para integrar a antologia de contos "Leia Mulheres" da editora Jandaíra. Seu trabalho literário ganhou destaque com a publicação de seus livros. Em 2021, lançou a coletânea de contos "Você não vai dizer nada" pela Editora Nós, que explora temas como o silêncio e a incomunicabilidade. Em 2025, publicou seu primeiro romance, "Caderno de ossos", pela Companhia das Letras. Esta obra aprofunda-se nos segredos familiares e nas memórias da ditadura militar brasileira, especialmente os desaparecidos políticos e a vala clandestina de Perus. Julia Codo é reconhecida por sua habilidade em mesclar ficção com a história real, abordando de maneira sensível e vigorosa temas complexos e urgentes do passado brasileiro recente. Sua escrita é marcada por uma narrativa fragmentada, que utiliza a imaginação para reconstruir histórias e dar sentido a traumas individuais e coletivos.
A trajetória literária de Julia Codo é marcada pela exploração de narrativas que mergulham na subjetividade humana e em questões históricas e sociais profundas. Em seu livro de contos de estreia, "Você não vai dizer nada", publicado em 2021, a autora já demonstrava um estilo que privilegia o silêncio, a angústia e a dificuldade de comunicação entre os personagens, muitas vezes com um toque de estranheza e o insólito. As histórias são construídas de forma a permitir que o leitor complete os "não ditos" e participe ativamente da construção de sentido. Com o romance "Caderno de ossos", lançado em 2025, Julia Codo consolida sua voz ao abordar um tema de grande relevância para a memória brasileira: a ditadura militar e os desaparecidos políticos. A obra é descrita como um "romance-escavação", onde a protagonista, ao retornar ao Brasil, desvenda segredos familiares que se entrelaçam com a descoberta da vala clandestina de Perus. A autora utiliza uma estrutura não linear e fragmentada, combinando o presente com memórias da infância, pesquisas e a imaginação para reconstruir o passado e seus impactos no presente. Essa abordagem permite que a narrativa evite a linearidade do relato, transformando a leitura em uma jornada de descobertas e reflexões sobre a memória herdada e o trauma transgeracional.

“Coletânea de treze contos que marcam a estreia literária de Julia Codo. A obra explora temas como o silêncio, a incomunicabilidade e a subjetividade dos personagens, que enxergam o mundo com paisagens por vezes pesadas, mas pontuadas por brilho e leveza. Os enredos variam desde situações cotidianas até narrativas que flertam com o insólito, criando uma atmosfera densa e reflexiva.”

“Primeiro romance de Julia Codo, é um drama íntimo e familiar que se desenrola a partir do retorno da protagonista a São Paulo após anos na Inglaterra. Ela se instala na casa do avô doente e encontra um caderno de sua tia Eva, que pode ter sido uma das desaparecidas da ditadura militar brasileira. A trama é uma "escavação" de segredos familiares e da memória traumática do país, combinando presente e passado de forma fragmentada para revelar verdades ocultas na vala clandestina de Perus.”