
Filho de Bete e Valcir, Jr. Bellé nasceu na cidade de Francisco Beltrão, região sudoeste do estado do Paraná. No âmbito da formação acadêmica, obteve o título de mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP) e tornou-se doutorando em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (PPGL-UFPR). Profissionalmente, desenvolveu parte de sua carreira literária a partir de residências no exterior. Nos Estados Unidos, foi escritor residente da Yaddo, em Saratoga Springs, no estado de Nova York, onde foi contemplado com a bolsa Abigail Angell Canfield and Cass Canfield Jr. Residency for Writers. Realizou também residência artística no Art Farm, em Marquette, Nebraska.
A produção bibliográfica do autor transita por diferentes gêneros, incluindo poesia, romance de ficção e livro-reportagem documental. Sua obra explora elementos de pesquisa histórica, memória e questões indígenas, abordando de maneira recorrente os processos de apagamento cultural, a invisibilidade das populações originárias da região Sul do Brasil e as disputas territoriais da chamada marcha para o oeste. Do ponto de vista estético e conceitual, promove a união entre a poética lírica e o registro documental, como evidenciado na publicação bilíngue que inclui a língua kaingang. Suas publicações literárias extrapolaram o meio impresso: seu primeiro livro formal de poesia teve os direitos adquiridos para produção audiovisual e resultou em obras exibidas em festivais de poesia e cinema nos Estados Unidos e na Austrália. No romance, sua produção foca em narrativas comportamentais sobre o poliamor e arranjos não monogâmicos. Adicionalmente, possui uma base de jornalismo literário na qual documentou experiências do pensamento anarquista e libertário no Brasil.

“Misturando relato pessoal e arquivo histórico, a obra acompanha os desdobramentos de uma revelação familiar sobre a ancestralidade kaingang do autor, expondo o extermínio promovido por bugreiros a serviço do Estado no Paraná do século XX.”

“A narrativa investiga a dinâmica do poliamor e os percalços diários em um relacionamento poligâmico, propondo discussões sobre a bissexualidade e os arranjos conjugais contemporâneos.”