
José Fernando Mafra Carbonieri nasceu em Botucatu, São Paulo, em 13 de abril de 1935. Descendente de imigrantes italianos, iniciou sua vida profissional como professor de português e literatura, destacando-se por ter sido o primeiro a introduzir sistematicamente a obra de Fernando Pessoa em currículos escolares brasileiros em 1960. Formou-se em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (Unitoledo) em 1959, seguindo uma distinta carreira jurídica como promotor de justiça, juiz de direito e, finalmente, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Sua produção literária é vasta e abrange poesia, romances, contos e literatura infantojuvenil. Em 2012, foi eleito para a cadeira n.º 26 da Academia Paulista de Letras, sucedendo Mário Chamie. Reconhecido por sua técnica refinada e lirismo, Mafra Carbonieri equilibra em suas obras a profundidade psicológica e temas clássicos, recebendo importantes distinções nacionais e internacionais ao longo de mais de seis décadas de dedicação às letras.
A trajetória de Mafra Carbonieri é marcada pela dualidade entre o Direito e a Literatura. No magistério, foi um divulgador precoce do modernismo português. No sistema judiciário, sua experiência como desembargador criminal serviu de base para obras densas como 'Um Estudo em Branco e Preto', onde explora a psique humana sob uma ótica policial e filosófica. Como poeta, é herdeiro de uma tradição lírica clássica, o que lhe rendeu o prestigiado prêmio cubano Casa de Las Américas. Seu estilo é frequentemente descrito como erudito, porém permeado por uma ironia melancólica e grande domínio formal.

“Publicado originalmente em volume único (608 páginas) em 1994, e vencedor de diversos prêmios literários importantes da época, o motim se dá na ala para prisioneiros políticos da Colônia Correcional da Ilha dos Sinos, em 1977, causando a morte de 300 pessoas, mas a censura militar reduz a cifra divulgada a apenas 30. Esta nova edição ganhou uma revista intensa do autor, que dividiu a história em 3 narrativas que, apesar de independentes, se fecham numa longa obra: no primeiro volume "A ilha" acontecem os crimes que levarão os condenados ao seu destino; um presídio numa ilha distante do Atlântico. No segundo volume "Os ilhados", os presos se deparam com um grande problema: o aparecimento de milhares de ratos. Para tentar resolver ou amenizar o ocorrido, o diretor do presídio, o capitão Lair Matias resolve oferecer um dia de liberdade - na ilha - a cada preso que entregar trinta roedores inteiros - vivos ou mortos. Desde então a praga passa a significar dinheiro, tornando-se moeda de troca por bens mais duráveis que apenas um dia de liberdade, dando início a uma Bolsa de Valores de ratos, mas também novas disputas e crimes internos. Por fim, no último volume, "Á agua dos afogados", o motim, visto e interpretado pelo detento José Lourenço, bibliotecário do presídio, mudo, culto, viciado em lucidez, condenado a uma reclusão de 180 anos, e personagens secundárias percorrem todos os espaços "vazios" das narrativas anteriores, assegurando desse modo a unidade romanesca.”

“Uma coletânea abrangente que reúne a vasta produção poética de Mafra Carbonieri, caracterizada pela multiplicidade de vozes e personas literárias.”