
João Paulo Cuenca nasceu no Rio de Janeiro em 4 de agosto de 1978. Graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), iniciou sua trajetória literária na internet, através do blog "Folhetim Bizarro", ativo entre 1999 e 2001. Seu romance de estreia, "Corpo presente", foi publicado em 2003, marcando o início de uma prolífica carreira. Desde 2003, contribui com crônicas semanais para importantes veículos de imprensa brasileiros, como Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, O Globo e Folha de S.Paulo. Cuenca alcançou reconhecimento internacional ao ser selecionado para o Bogotá39 em 2007, como um dos 39 jovens autores mais destacados da América Latina, e em 2012, a revista britânica Granta o incluiu na lista dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos. Além de sua atuação como escritor, ele também é cineasta, dirigindo seu primeiro longa-metragem, "A morte de J.P. Cuenca", em 2016, que foi selecionado para o Festival do Rio e para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Atualmente, é mestrando no programa de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP.
A escrita de João Paulo Cuenca é notável por sua linguagem controlada e madura, que frequentemente entrelaça ambientes cotidianos com incidentes surreais. Em suas narrativas, a cidade se manifesta como um personagem ativo, muitas vezes em confronto ou resistência aos demais personagens. Ele explora temas como a busca por individualidade e a influência de ícones da cultura popular em uma geração que anseia por se distinguir. Suas obras têm ressonância global, com traduções para oito idiomas e direitos vendidos em onze países. Ao longo de sua carreira, Cuenca demonstrou versatilidade, transitando da literatura para outras formas de expressão artística. Ele escreveu peças de teatro, roteiros para cinema e televisão, e atuou como diretor. Essa diversidade de atuação reflete seu estilo multifacetado e sua capacidade de abordar questões complexas da contemporaneidade através de diferentes mídias.

“Uma curta novela sobre dois amigos que vagam por uma cidade sem rumo, citando seus heróis na vida em uma tentativa de se tornarem como eles, em particular o personagem principal interpretado por Marcello Mastroianni no clássico '8 1/2' de Fellini. Cuenca retrata uma geração que busca desesperadamente uma individualidade que a distinga, ao mesmo tempo em que é apaixonadamente obcecada por ícones da cultura popular.”

“Em 2011, J.P. Cuenca recebe a notícia de que um cadáver foi identificado pela polícia com sua certidão de nascimento. Após ser convocado a uma delegacia e ter um processo com documentos que comprovam sua própria morte, Cuenca inicia uma investigação alucinante e vertiginosa para tentar explicar o fato. Com a ajuda de um jornalista e de um detetive particular, na busca de si mesmo como defunto, Cuenca percorre com desespero febril a geografia do Rio de Janeiro pré-olímpico, em pleno processo de transformação, enquanto descreve o repertório cínico de intelectuais, burgueses, artistas e pseudoartistas com os quais se cruza em sua descida ao Hades tropical.”