
João Carlos Reiners Terron, mais conhecido como Joca Reiners Terron, nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 9 de fevereiro de 1968. Ele se mudou para São Paulo em 1995, onde reside atualmente. Terron estudou Arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e formou-se em Desenho Industrial pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É uma figura multifacetada na literatura brasileira, atuando como escritor, poeta, prosador, artista gráfico e editor. Em 1998, fundou a cultuada editora Ciência do Acidente, pela qual publicou seu primeiro romance, 'Não há nada lá' (2001), e o livro de poemas 'Animal Anônimo' (2002). A editora foi responsável por resgatar nomes importantes da literatura brasileira do final do século XX. Seus textos integram diversas antologias nacionais e estrangeiras, e ele é reconhecido por um estilo que aproxima a ficção de outras linguagens, como quadrinhos e cinema. Terron também é colaborador da TV Cultura e escreve regularmente para a Folha de São Paulo. Sua trajetória literária é marcada pela experimentação e pela capacidade de criar universos narrativos densos e alegóricos. Ele transita entre a poesia, o conto e o romance, abordando temas como memória, identidade, ditadura, e catástrofes sociais e ambientais, com um tom que pode ser cômico, violento, poético, e frequentemente mordaz. Além de sua produção autoral, Joca Reiners Terron também atua como tradutor de importantes escritores latino-americanos, enriquecendo o intercâmbio literário.
A trajetória literária de Joca Reiners Terron é notável por sua diversidade de gêneros e pela constante busca por experimentação. Iniciou sua carreira com a poesia ('Eletroencefalodrama', 1998) e consolidou-se como prosador com o romance 'Não há nada lá' (2001), que lhe rendeu o Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da Revista Cult em 2000. Em sua obra, é visível a influência de uma vertente experimental da literatura brasileira e hispânica. Seu estilo evoluiu para incorporar elementos de thriller, ficção fantástica e crítica social, misturando referências de cultura pop e histórica. O autor frequentemente constrói narrativas labirínticas com personagens bizarros e enigmáticos, utilizando a linguagem de forma a criar uma atmosfera de mistério, angústia e humor cínico. Temas como a memória, o esquecimento, a identidade e as fronteiras geográficas e existenciais são recorrentes em seus romances e contos, que muitas vezes funcionam como alegorias do Brasil contemporâneo.

“Vencedor do Prêmio Machado de Assis, este romance narra a história dos gêmeos William e Wilson, um em busca do outro após uma misteriosa tragédia. A trama envolve amnésia, trocas de sexo e uma surpreendente jornada ao Cairo, no Egito, enquanto o amor fraternal tenta resistir à passagem do tempo e à ameaça da morte.”

“Premiado com o APCA, este romance é um thriller alegórico ambientado em um matadouro no interior de Mato Grosso. Povoado por figuras reconhecíveis do noticiário e por minotauros e espectros, o livro centra-se na revolta de funcionários oprimidos contra a tirania do capital e o desastre civilizatório, num cenário que mistura realidade social e fabulação alucinante.”