
João Silvério Trevisan nasceu em Ribeirão Bonito, São Paulo, em 1944. Após passar dez anos em um seminário, abandonou a carreira religiosa e tornou-se uma figura central na contracultura brasileira, atuando inicialmente como cineasta e jornalista. Durante a ditadura militar, exilou-se nos Estados Unidos e no México, onde teve contato com movimentos de libertação sexual que influenciariam profundamente sua atuação política e literária posterior no Brasil. Ao retornar ao país, fundou em 1978 o grupo 'SOMOS', a primeira organização de defesa dos direitos homossexuais no Brasil, e foi um dos editores fundadores do jornal 'Lampião da Esquina'. Sua produção literária é vasta e multifacetada, abrangendo desde contos experimentais e ensaios históricos fundamentais até romances premiados que exploram a complexidade da alma brasileira e as relações familiares. Em 2023, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Uberlândia por sua contribuição intelectual e política.
A trajetória de Trevisan é marcada pela intersecção entre a militância de direitos humanos e a alta literatura. Iniciou no cinema com o longa 'Orgia ou o Homem Que Deu Cria' (censurado em 1970), mas consolidou-se como um dos principais prosadores contemporâneos do Brasil. Seu estilo combina erudição, honestidade brutal em temas de sexualidade e uma profunda investigação histórica. Sua obra 'Devassos no Paraíso' é considerada o marco inicial e mais abrangente dos estudos de gênero no Brasil, enquanto seus romances tardios, como 'Pai, Pai', focam na reconciliação memorialística e na exploração da identidade nacional sob uma ótica íntima.

“Um monumental ensaio histórico-antropológico sobre a homossexualidade no Brasil, da colônia aos dias atuais. Obra de referência obrigatória para entender a diversidade sexual no país.”

“Um acerto de contas emocionante e doloroso com a figura do pai. Trevisan narra sua infância, a descoberta da sexualidade e a difícil relação familiar em um relato corajoso.”