
Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977, e mudou-se com a família para Porto Alegre na década de 1990, onde precisou se adaptar a um novo ambiente e sociedade. Ele é graduado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui mestrado em Literaturas Luso-africanas pela mesma instituição e doutorado em Teoria da Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Atualmente, atua como professor de língua e literatura na rede pública de ensino de Porto Alegre. Sua paixão pela literatura surgiu após os 20 anos, e ele divide seu tempo entre o ensino, a pesquisa e a escrita. Seus textos teatrais e contos foram traduzidos para o inglês e o espanhol, evidenciando o alcance internacional de sua obra. Em 2020, foi o primeiro negro eleito como patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, um dos maiores eventos culturais do sul do Brasil.
A trajetória literária de Jeferson Tenório começou de forma "acidental", não estando em seus planos iniciais tornar-se escritor, mas sim professor. Sua escrita é caracterizada pela sensibilidade e criticidade, abordando temas profundos como identidade, racismo estrutural, família e memória, com um estilo que combina lirismo e contundência. Seus livros se debruçam na complexidade das biografias individuais e no modo como estas são perpassadas pelas grandes questões sociais, distanciando-se de um tom panfletário. Ele frequentemente expõe a precariedade decorrente da pobreza e do abandono, com especial atenção à fragilidade da vida diante do racismo cotidiano. Suas obras muitas vezes utilizam um ponto de vista que vai da infância à adolescência, com personagens jovens que buscam gerar maior empatia no leitor. O racismo é um tema central, frequentemente tratado de maneira particular à cidade de Porto Alegre e às suas experiências pessoais.

“O romance, premiado com o Jabuti, narra a história de Pedro que, após a morte de seu pai, um professor negro assassinado pela polícia, reconstitui a vida do pai e as complexas relações raciais, a violência e a negritude em um país marcado pelo racismo.”

“Ambientado em Porto Alegre por volta dos anos 2000, o romance acompanha o despertar racial de Joaquim, um jovem negro, órfão, pobre e desempregado, que busca manter seu amor pelos livros e pela literatura ao ingressar na universidade como cotista, em um ambiente muitas vezes hostil e despreparado.”