
Jô Freitas nasceu em Paulo Afonso, Bahia, e foi "adotada por São Paulo" aos cinco anos de idade, onde reside atualmente na periferia do Itaim Paulista. Filha de pais não alfabetizados que vieram da roça, sua escrita é vista como um ato de vingança contra um sistema que os queria serviçais. Ela iniciou sua jornada na poesia através de projetos de políticas públicas e saraus periféricos, como o Sarau Pretas Peri e o Sarau Lima e os Novos Barretos, que também idealizou. Sua atuação na literatura a levou a participar de projetos em países como Equador, Peru, Moçambique e África do Sul. Atualmente, ela cursa Biblioteconomia e Ciência da Informação na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e desenvolve projetos em escolas públicas com palestras e oficinas de escrita criativa.
A trajetória de Jô Freitas é marcada pela oralidade do sertão e pela força de quem viveu as violências estruturais do racismo e machismo, transformando suas vivências em arte e debate social. Sua escrita é uma mistura de encanto da infância com a dureza realista da vida adulta, resgatando memórias e ancestralidade. Ela é conhecida por sua atuação em saraus, slams e movimentos de rua, onde a poesia se tornou um instrumento de sobrevivência, resistência e reconstrução de identidade. Sua obra "Goela Seca" é um manifesto de pertencimento, memória e resistência, utilizando uma linguagem particular e inventiva que mescla poesia, prosa, conto e até um pré-romance. Jô Freitas se apresenta como alguém que escreve "para existir" e para mostrar à sua família e à periferia a possibilidade de transformação através da literatura.

“Uma coletânea de 23 contos que narra a trajetória de uma jovem negra desde a infância até a vida adulta, abordando as alegrias e desafios de ser mulher negra em uma sociedade machista e racista, com um olhar que transita entre o lúdico e o realista, o doce e o ácido. A obra é dividida em três partes, explorando memórias e ancestralidade.”