
Nascido no município de Barbacena, Minas Gerais, em 1936, Ivan Ângelo iniciou sua trajetória na imprensa e na literatura na década de 1950. Seu primeiro reconhecimento ocorreu em 1954, quando o seu conto 'Culpado sem crime' venceu um concurso promovido pela prefeitura de Belo Horizonte. Dois anos depois, fundou a revista literária 'Complemento', em colaboração com o escritor Silviano Santiago. Trabalhou em diversos veículos de comunicação em Minas Gerais, incluindo o 'Correio de Minas' e a revista '3 Tempos'. Em 1965, transferiu-se para o estado de São Paulo para integrar a equipe inaugural do Jornal da Tarde. Neste diário, atuou nas funções de editor, editor-executivo e secretário de redação nas décadas seguintes. Na área da crônica jornalística, assinou uma coluna regular na revista Veja São Paulo no período de 1999 a 2018. Exerceu também funções acadêmicas, incluindo o cargo de professor visitante de literatura na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.
A produção ficcional de Ivan Ângelo enquadra-se no escopo do pós-modernismo literário brasileiro, sendo estruturalmente marcada pelo hibridismo de gêneros, uso de técnicas de colagem documental, elipses e fragmentação temporal. Seu estilo afasta-se de abordagens lineares em favor da polifonia narrativa. O eixo temático de suas obras aborda a análise do contexto sociopolítico do Brasil, focando em questões relativas ao autoritarismo do Estado, à censura e aos efeitos da violência institucional sobre as diversas camadas sociais, com ênfase no período da ditadura militar brasileira (1964-1985). Os seus textos estabelecem forte diálogo com a linguagem jornalística e cinematográfica e fazem uso sistemático da metalinguagem. Além da ficção de orientação sociopolítica, o autor tem publicações no campo da crônica urbana, que observam os problemas estruturais e dinâmicas sociais contemporâneas, e também na literatura voltada ao público infantojuvenil.

“O enredo descreve as trajetórias interligadas de várias personagens que deveriam convergir para um evento comemorativo na cidade de Belo Horizonte. A obra divide-se estruturalmente em segmentos temporais que antecedem e sucedem à festa, suprimindo o evento em si como recurso metafórico para retratar o cerceamento de direitos no período da ditadura militar brasileira.”

“Através das inserções de comentários de telespectadores em paralelo à narrativa principal, o livro acompanha a interrupção da rede nacional de televisão por Fernando Bandeira de Mello Aranha, um megaempresário das comunicações, com o intuito de detalhar esquemas de enriquecimento ilícito do passado e buscar uma mulher de sua juventude.”